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O mais amargo dos gostos

27 jan 2004 às 10:59
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O Brasil perdeu a chance de disputar as Olimpíadas. Esta frase tem sido repetida a exaustão desde o fracasso dos "meninos de ouro" no Pré-Olímpico do Chile. Parece até que o país não terá nenhum representante em Atenas, o que não é verdade. Na maior festa do esporte mundial estarão centenas de brasileiros, gente que teve que suar muito para conseguir uma vaga, ao contrário dos mimados futebolistas. Talvez seja até melhor, já que o futebol parece muitas vezes alheio ao clima olímpico. Como nas Olimpíadas de Atlanta, quando logo após a conquista do bronze, a delegação da CBF voltou para o Brasil sem esperar a final e a premiação oficial. Um vexame sem precedentes.

Mas como o futebol é o esporte mais popular no país criou-se a falsa impressão que a medalha de ouro olímpica é uma conquista indispensável. Por isso a grande expectativa virou uma enorme frustração. Ainda mais quando se via a qualidade dos jogadores que disputaram o torneio.

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Com o péssimo resultado consolidado após uma partida lastimável contra os esforçados paraguaios, imediatamente começou uma ridícula e covarde caça as bruxas, envolvendo a direção da CBF, e até mesmo a comissão técnica da equipe principal. Todos eles fazendo o que se costuma chamar de "chutar cachorro morto".

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Festa armada na pátria amada


Apontar o excesso de brincadeiras dos jogadores – principalmente Robinho e Diego – como causa principal para a eliminação, como fez o destemperado Zagallo (que mais uma vez mancha um passado de conquistas), é de uma imbecilidade sem tamanho. Afinal, os mesmos jogadores, com o mesmo clima festivo, ganharam o Brasileirão pelo Santos há menos de dois anos. Houve, sim, um clima de já ganhou, iniciado antes mesmo da viagem e que se manteve apesar das dificuldades em quase todos os jogos. Parecia que na hora certa, os valores individuais superariam tudo.

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Parreira ao menos foi um pouco mais elegante e optou por falar que faltou empenho e sobrou individualismo a grande parte do time. Tem razão nas críticas mas não age da mesma forma quando ameaça afastar do time principal os jogadores que fracassaram no Chile. Alguns deles merecem chances e não devem ficar "queimados" dessa forma. Alex e Edu Dracena já provaram que são infinitamente melhores (apesar de eventuais falhas) do que Lúcio – que causa calafrios na torcida – e Edmilson, por exemplo.


Da mesma forma, não é justo culpar Robinho e Diego por todos os erros cometidos. De uma hora para outra os dois "craques da nova geração" viraram "laranjas podres" que só querem se divertir e se exibir. Os dois pecaram pelo individualismo e por não jogarem nem metade do que sabem, algo repetido por quase todos os demais jogadores. Elano, por exemplo, ficou muito aquém do que jogou no ano passado; Paulo Almeida anda mal faz tempo; Marcel e Dagoberto perderam gols que não costumam desperdiçar; Alex falhou em disputas aéreas como nunca; Fábio Rochemback colecionou cartões amarelos com afinco. As críticas poderiam continuar mas não levam a muita coisa. Da mesma forma, Ricardo Gomes também não mostrou a que veio e errou muitas vezes, principalmente na convocação. Sem falar que teve problemas ao não contar com peças chave para a equipe como Kaká e Adriano.

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Mas nenhum deles é mais culpado do que o maior derrotado no Pré-Olímpico, um certo Ricardo Teixeira. O presidente da CBF passou um bom tempo licenciado do cargo enquanto era investigado pos CPIs do Congresso Nacional. Só resolveu dar o ar da graça após o relativo sucesso do último Brasileirão e a conquista da tal "Tríplice Coroa" – Copa do Mundo e Mundias Sub-17 e Sub-20. Em seus delírios de grandeza já sonhava com a conquista também da Copa América e da Olimpíada para se tornar o primeiro dirigente a deter aos mesmo tempo as cinco principais competições disputadas pela Seleção. Já andava fazendo propagandas na TV, bradando aos quatro cantos – como se tais conquistas fossem graças à CBF e não apesar da CBF – suas realizações, mas caiu do cavalo.


Ao menos para alguma coisa essa derrota serviu.

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Diamante Negro


Leônidas da Silva morreu aos 90 anos. Deixa na lembrança de todos suas incríveis bicicletas (que ele sempre disse que apenas copiou de um atleta argentino) e os dribles fantásticos do "Homem-Borracha". Deixa também o chocolate que o homenageia, sucesso de vendas até hoje.

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Nota 10


Para Gomes, sem dúvida o jogador que mostrou mais empenho no Pré-Olímpico. Seu choro ao final do jogo resume tudo. Menção honrosa também para Alex, Edu Dracena, Dudu Cearense, Adaílton e Daniel Carvalho.

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Para o São Paulo, que não abandonou Leônidas da Silva nos dez anos mais difíceis de sua vida. Um belo exemplo de cuidado com alguém que trouxe tantas glórias ao time do Morumbi.


Nota 0

Para Ricardo Teixeira, Parreira e Zagallo. Chutar cachorro morto é muito fácil e a time principal também não esta com a bola cheia nas Eliminatórias.


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