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COP26

Brasil precisa de ações concretas contra desmatamento para ganhar credibilidade

Paulo Ricardo Martins - Folhapress
03 nov 2021 às 11:37
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Com a chegada da COP26 (Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas), o Brasil precisará definir políticas públicas concretas para buscar cooperação de outros países.

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Essa é a análise feita por Izabella Teixeira, ex-ministra do Meio Ambiente (2010-2016) e uma das participantes do seminário Mudanças Climáticas. O evento foi promovido pelo jornal Folha de S.Paulo, com patrocínio da Klabin e apoio da Prefeitura de São Paulo.

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Para Teixeira, o país tem muitas contradições em relação à situação ambiental e, para recuperar a credibilidade, deverá lançar um olhar atento sobre temas como a crise hídrica e o desmatamento da Amazônia e do cerrado.


A conferência global, que teve início no último domingo (31), tentará mitigar os efeitos das ações que têm levado o mundo a um colapso climático sem precedentes, como define a ex-ministra.


É importante, diz Teixeira, entender que o evento funcionará para concluir as implementações discutidas no Acordo de Paris, aprovado em 2015. Entre os principais pontos do tratado estão a redução da emissão de gás carbônico e a contenção do aumento da temperatura do planeta em 2ºC, com a meta de limitá-lo a 1,5ºC.

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Isso só será possível "se a Amazônia continuar em pé", afirma a ex-ministra, ressaltando a importância das florestas tropicais para a estabilidade climática.


Ela diz que o Brasil tem dificuldade para estabelecer metas de longo prazo, ainda que o meio ambiente seja fundamental para dar ao país competitividade no cenário mundial. "Se o país quiser fazer essa agenda como gente grande, vai fazer isso muito bem e vai gerar muitas contribuições positivas para o mundo."


As medidas que serão traçadas daqui para frente precisarão ser coordenadas pelo Estado, ainda que a colaboração de setores não-governamentais seja importante. Essa é a opinião de Carlos Eduardo Young, coordenador do grupo de economia do meio ambiente do Instituto de Economia da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro).


O professor afirma que as consequências do colapso climático não serão iguais para toda a população. Pessoas que não contribuíram para que ela se agravasse tendem a ser as mais afetadas, diz ele.


Na visão de Young, o país enfrenta três crises que se correlacionam: econômica, social e ambiental. Hoje, as pessoas estão ganhando menos do que há uma década, afirma. A taxa de desemprego no Brasil está em 13,2%, com recuo no último trimestre, puxado pela informalidade.


"O Brasil produz aproximadamente três quilos de grão por habitante ao dia e é o maior exportador de carne bovina do mundo, mas é o país que está vendendo osso e que voltou a ter fome."


Para se livrar dessas crises, ele diz ser necessário recuperar o investimento em setores que geram emprego. O Estado deve promover uma reestruturação, que inclui a parte orçamentária e fiscal, sob a visão da sustentabilidade.


Precisam ser construídos mecanismos para punir quem emite gases poluentes e incentivar quem produz de forma eficiente. "Não há como planejar uma recuperação econômica brasileira sem considerar a qualidade de vida, que requer meio ambiente."


As empresas têm a capacidade de se adaptar ao sustentável quando pressionadas, diz Young. Ele cita a indústria brasileira de papel, que passou a ser vista como exemplo após pedidos para que parasse de usar fibra de vegetação nativa.


Cristiano Teixeira, diretor-geral da Klabin, defende uma postura mais verde da iniciativa privada. Para ele, é possível investir e produzir respeitando microbacias da região explorada, além de incentivar a pequena agricultura.


Ele menciona as mudanças feitas pela indústria de celulose no forno de cal, máquina usada pelo setor para tratar um resíduo. Antes, o equipamento funcionava por meio de óleo combustível, mas hoje a atividade pode ser realizada com biomassa gaseificada.


"Existe um contexto complexo e precisamos desenvolver o conhecimento e a consciência daquilo que está acontecendo no nosso planeta."


A construção de medidas de conservação a partir do olhar de povos nativos foi trazida ao debate por Lívia Pagotto, gerente de conhecimento do Instituto Arapyaú e secretária-executiva interina da Uma Concertação pela Amazônia. A rede é formada por mais de 400 pessoas, empresas e instituições que buscam desenvolver e conservar o território.


Segundo ela, a preservação da Amazônia tem que ser encarada como uma solução para a crise e uma forma de fomentar a economia.


O seminário foi mediado pelo jornalista Marcelo Leite, colunista da Folha de S.Paulo. A cobertura completa do evento pode ser acessada em folha.com/mudancas-climaticas.

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