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O inferno são os outros

18 set 2003 às 09:45
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Olá, amigos do esporte! A afirmação do título desta coluna – ‘O inferno são os outros’ – foi feita pelo pensador e escritor francês Jean-Paul Sartre. Está na peça ‘Huis-Clos’, escrita na década de 40 e traduzida no Brasil para ‘Entre Quatro Paredes’. Uma metáfora da sociedade, mostra que as pessoas não conseguem fugir do inferno que as cercam. Aparentemente uma incongruência, mas também mostra que a nossa tendência é culpar sempre o outro pelo inferno que nos cerca. O outro nos oprime, nos cerceia, nos vigia. Não conseguimos fugir deles, os outros transformam nossas vidas em um inferno.

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Como seguidor da filosofia existencialista, iniciada anteriormente pelo dinamarquês Kierkeggard, continuada pelo alemão Heidegger, o francês Sartre acreditava que a existência tinha suas limitações, as regras e imposições da sociedade, mas que o homem tinha por obrigação buscar a liberdade, construir o próprio destino. Cabia (ou cabe) ao homem desfazer-se da opressão, do cerceamento da eterna vigilância dos outros. Tarefa árdua, nem sempre possível, mas que nem por isso deve-se deixar de tentar.

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Ora, essa introdução filosófica, talvez pesada demais em uma coluna de esporte – com certeza alguém irá perguntar em qual posição jogam esses caras –, é só para lembrar que no final de semana passado, o ‘inferno’ do Atlético passou a ser o Douglas Silva e o do Paraná Clube foi o estreante Fábio Braz. O atleticano, culpado pela diretoria depois da derota do time para o Cruzeiro, foi afastado, proibido de treinar junto com o grupo de jogadores e fica na inatividade até o final do ano.


O paranista foi sacrificado pela mídia como o grande responsável pela derrota no clássico com o Coritiba. Sapecaram-lhe adjetivos pejorativos e desrespeitosos. Os dois não jogaram bem, é verdade, mas não são os únicos ‘diabos’ nos ‘infernos’ dos dois clubes. E não é preciso ser nenhum filósofo para chegar a esta conclusão.


E.T. – Quando o técnico de futebol começa a observar e se preocupar mais com o time adversário do que com o próprio time, e a mudar escalações a toda hora, é porque alguma coisa está errada.

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Arena – Na semana que vem, representantes dos clubes de futebol de Curitiba – Atlético, Coritiba, Malutrom e Paraná Clube – e de dois sindicatos de atletas profissionais do Estado e um de Curitiba vão ter que se encontrar com o procurador do Trabalho, Luercy Lino Lopes, para explicar porque os jogadores de futebol não estão recebendo os 20% que a lei exige como direito de arena. Um dos sindicatos, presidido pelo ex-jogador Nivaldo Carneiro, afirma que intermediou um acordo com os jogadores para que estes recebessem bem menos, apenas 5% do que é repassado aos clubes.

Os outros sindicatos, o SindAtleta, agora presidido pelo ex-jogador Ney Santos, e o Sindicato dos Atletas Profissionais de Curitiba, presidido por Fábio Aguayo, afirmam que o acordo não existe e que, se existisse, seria ilegal. Conforme a decisão da Justiça, os clubes podem ser obrigados a pagar tudo aquilo que deixaram transferir aos jogadores. A decisão do Paraná pode vir a ser a primeira do Brasil nesta delicada questão que promete, em breve, tomar o noticiário nacional.


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