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Edison  Yamazaki
Edison  Yamazaki
30/09/2018 - 11:07
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Pode ser um regra restrita ao Japão, pois o país possui algumas leis únicas. Uma delas é a devolução obrigatória do que você encontrou perdido ou esquecido em qualquer lugar. Seja lá o que encontrou, devolva rapidamente no primeiro posto policial para não ter problemas futuros.
Lí numa reportagem que um funcionário do governo encontrou 7 mil ienes (aproximadamente 70 dólares) numa lavanderia automática, provavelmente o troco esquecido por alguém. Como não há atendentes nesses lugares, ele ficou com dinheiro. Num momento seguinte, a pessoa que esqueceu o dinheiro retornou e analisou a câmera de segurança, chegando até o "ladrão". Ele foi punido com a redução de salário por alguns meses.
Outro punido foi um funcionário público, que achou mil ienes esquecido numa máquina automática num posto de gasolina. Foi preso após admitir que embolsou o dinheiro esquecido, mas jurou que não roubou nada.
Eu cresci ouvindo que "achado não é roubado", e já cheguei a dizer isso até para os meus filhos. Ainda bem que eles não me levaram à sério, e até brincam com o meu modo latino de pensar.
No Japão existe uma lei que obriga a devolver o que não lhe pertence, com pena de ano de prisão ou multa de até cem mil ienes (aproximadamente 1000 dólares).
O crime nestes casos é chamado de "roubo de patrimônio perdido ou extraviado", que em japonês é chamado de "sennyuu ridatsubutsu ouryouzai".
Conversando sobre isso, descobri que são nos 13 anos obrigatórios da escola japonesa que esses valores são ensinados, numa das matérias sobre civilidade e cidadania.
As escolas japonesas são praticamente em período integral, com as aulas começando às 8:30min e terminando às 15:30min. Em seguida começam as aulas extra-curriculares que são escolhidos pelos alunos. Alguns optam pela ciência, outros pela música, cantos, esportes e escritas em kanjis. Isso tudo termina por volta das 19:00h, quando a criançada volta para casa. No ensino fundamental, as refeições são fornecidas pelo governo, no ensino médio, cada aluno trás a sua marmitinha de casa. Dá um trabalho danado, mas saber que eles sairão melhor preparados para o mundo, pelo menos no aspecto moral, dá uma satisfação que nenhum cansaço faz desanimar.

Como funcionam as melhores sistemas educacionais do mundo
17/09/2018 - 10:01
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Nesses anos todos ainda não havia presenciado coisa semelhante. Num curto espaço de uma semana, houve um forte tufão que passou sobre a nossa cabeça e um terrível terremoto em Hokkaido, ao norte do país.
Foram muitas mortes e milhões em prejuízo. Pare reconstruir a cidade ainda levará um bom tempo, e para se recompor do susto e da tristeza pelas perdas dos entes queridos, muito mais.
O tufão pegou em cheio as cidades de Osaka e Kyoto. Além dos "tradicionais" telhados e bicicletas, o tufão dessa vez levantou carros, virou caminhões, inundou o Aeroporto Internacional de Kansai (Osaka), levou barcos e navios, destrui também a ponte que liga o aeroporto ao continente deixando os passageiros completamente isolados. Coisa feia só de lembrar. Os telefones celulares ficaram mudos, não havia água, gás e luz. As crianças e idosos foram os que mais sofreram. Um por não entender direito o que se passava, o outro por ter vivido várias experiências semelhantes.
Aqui perto da minha casa muitos foram os semáforos arrancados, placas de informações destruídas, árvores arrancadas pelas raízes. Mas por conta de uma proteção enorme, nenhum vida foi levada.
Em seguida vem o terremoto. E com sempre, ele veio de madrugada, pegando o pessoal desprevenido. O chão sacudiu como há muito não se via, estradas racharam, morros deslizaram, pontes quebradas, mortes e mais mortes.
Agora, tudo precisará ser consertado às pressas porque o frio já vai chegar, e Hokkaido é o local mais frio do país. Em alguns lugares, a temperatura chega a 20 graus negativos, e Sapporo é famoso pelo Festival do Gêlo, realizado todos os anos e atraindo uma enormidade de turistas. Fico aqui pensando haverá clima para realizar o festiva em fevereiro.
O que vem depois da destruição é o encarecimento dos produtos hortifrutigranjeiros. Saladas, leite, queijo e ovos já são caros em tempos normais, mas depois de um abalo e vendaval, os preços ficarão inacessíveis até para o dono do Uniqlo.
Mas vamos levando porque não podemos parar. A vida precis seguir, muitas vezes sem olharmos para trás.
Abaixo, coloquei um vídeo do tufão e outro do terremoto para que o pessoal do samba e futebol pudesse entender melhor como é tudo isso.

Tufão


Terremoto
26/08/2018 - 09:04
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Depois da desistência do Vietnan, a Indonésia foi eleita para sediar os jogos, que ocorrem nas cidades de Jacarta e Palembang. São 46 países que disputam 42 modalidades, entre elas, algumas que quase ninguém ouviu falar. Alguém sabe como se pratica Kabaddi, Sampo, Sepktakraw, Wushu, Bridge ou Pencaksilat?
Outros esportes são conhecidos mas não como esportes olímpicos como: boliche, golfe, jet ski, paragliding, patinação de velocidade e soft tênis.
A infraestrutura dos jogos é simples, pois tudo teve que ser construido ou reformado às pressas, pois foi apenas em julho de 2014 que a Indonésia foi definida como país-sede, depois que Hanói percebeu que teria que gastar aproximadamente 300 milhões de dólares, e tirou o cavalo da chuva.
Os jogos também são interessantes porque participam países sem nenhuma tradição esportiva, e ver seus atletas se esforçando ao máximo mesmo sabendo que não possuem a menor chance de vitória, torna esses jogos "mais humanos", um pouco distante dos Jogos Olímpicos de Verão onde vemos atletas totalmente preparados apenas para vencer.
Países pouco conhecidos esportivamente como Butão, Laos, Maldívias, Síria, Mianmar, Paquistão e Palestina levaram seus atletas para desfilaresm na abertura do evento.
Nada de lances esportivos computadorizados em núvens coloridas ou alguém descendo de algum foguete transparente. Tudo na simplicidade típíca dos indonesianos, que pelo jeito se esforçaram muito para fazer desses jogos alguma coisa inesquecível para o país.
Na abertura, até o presidente mostra sua simplicidade, chegando numa moto para a abertura da solenidade. Aqui na Ásia as coisas são diferentes, não é mesmo?

Jogos Asiáticos - abertura
29/07/2018 - 08:21
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Entre os 781 japoneses que saíram do porto de Kobe e desembarcaram em Santos em 1908 haviam japoneses de várias regiões fugindo das mazelas da guerra. Muitos vieram iludidos achando que o Brasil seria "luz no fim do túnel", outros cientes das dificuldades que passariam do outro lado do planeta. Eram tudo o que eles tinham na época.
Já passaram 110 anos da imigração japonesa, e o motivo é de comemoração.
Eles vieram no escuro, sem saber a língua, os hábitos e a cultura tupiniquin. Muitos não sabiam sequer onde iriam morar. Quando chegaram nas fazendas para trabalharem nas lavouras, foi que a ficha caiu.
A esperança de construir um mundo melhor para seus familiares, os sonhos de riqueza foram ficando para trás, quando perceberam que nada cairia do céu, como prometido pelas autoridades japonesas. Vieram enganados pelos planfletos produzidos pelo governo, onde haviam promessas de futuro e felicidade.
Trabalharam em silêncio e com muita dignidade, evoluíram, muitos passaram de empregados a proprietários de terras, colocaram seus filhos para estudar.
Hoje são quase 2 milhões de descendentes que contribuem para o desenvolvimento do Brasil.
Tiveram influência na cultura, na culinária, nas artes marciais, na introdução de algumas frutas e até na pimenta do reino. Hoje, saborear um sushi, sashimi, beringela ou comer um caquí é graças aos japoneses imigrantes.
Acredito que meus pais também passaram por todo esse processo quando chegaram no Brasil.
Eles trabalharam na lavoura de café e depois vieram para São Paulo em busca de melhores oportunidades. Eu nasci na capital e tive o privilégio de estudar até me formar na universidade, enquanto meus pais haviam completado apenas o ensino fundamental.
Educação para eles era tudo. Pequeno fui inscrito numa academia de judô, e simultaneamente num curso de natação e numa escola de basquete. Dois meses depois, veio o professor de tênis. Segundo meu pai, era a maneira de gastar minhas energias numa coisa útil. Com os meninos da rua, eu jogava futebol. Com o vizinho passei a ir aos jogos de futsal. Meu caminho natural acabou sendo trabalhar com esporte e saúde. Tudo isso eu devo à eles, que vieram de um país cheio de regras, cheio de pensamentos homogêneos, de neve e terremoto, para encarar um desafio, que venceram de sobra.
O tempo e as condições brasileiras me levou a fazer o sentido contrário, e hoje, aqui do Japão, não posso deixar de lembrar e "homenagear" todos os 781 heróis que desembarcaram na terra do samba, futebol e cerveja. Pelo menos era assim que meus pais enxergavam o Brasil. Será que mudou alguma coisa desde aquele tempo?

Mirai - Futuro
08/07/2018 - 10:30
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Enquanto a seleção nipônica retornava para casa e a seleção brasileira era eliminada pela Bélgica, o Japão passava por mais um desastre natural de grandes proporções.
Uma chuva torrencial caiu em praticamente todo território fazendo muitas vítimas e deixando centenas de desabrigados.
Por enquanto, os mortos chegam a 75 pessoas, com o mesmo número de desaparecidos. A tempestade atingiu com mais violência os estados de Hiroshima, Fukuoka, Saga, Tokushima, Ehime, Hyogo e Kyoto. Foram cinco dias de chuvas intermitentes, fortes como numa havia visto.
Especialistas dizem que situações como essas acontecem apenas uma vez em décadas, e foi acontecer justamente no retorno da seleção japonesa, que diga-se de passagem, foi recebido com muita festa. Parecia até que haviam vencido suas partidas de tantas homenagens que receberam.
Essa gratidão toda não foi porque os nipônicos foram espetaculares, foi porque proporcionaram alguns minutos de sonhos ao torcedores, principalmente quando venceram a Colômbia e quase deixaram a Bélgica para trás. Mas como desgraça pouca é bobagem, eles perderam faltando alguns segundos, e ainda terão que enfrentar juntamente com a população mais um período de reconstrução.
Não sei exatamente o que está acontecendo, mas nas últimas quatro semanas a natureza anda "nervosa" por aqui. Depois do terremoto que abalou a região de norte de Osaka, outros tremores foram sentidos em várias regiões do país, deixando o povo alerta, estressada.
Seguido dos estragos em Osaka, vieram dez dias de uma calor infernal, e agora uma chuva que mais parecia um castigo dos deuses (se é que não é). O resultado disso tudo será o aumento das frutas e verduras, que já não são nada baratas, e os milhões de ienes que serão necessários para reconstruir as cidades afetadas. Para as famílias que perderam vidas não sei nem o que falar, mas sei como dói.
Apesar de não termos praticamente nenhum assalto, nenhum assassinato, carros roubados beiram a zero e balas perdidas que não existem, sinto que não estamos tendo a tranquilidade de vida que se espera de um país tão seguro como é o Japão.
Da mesma maneira que os países "tradicionalmente" violentos, saímos de casa ressabiados porque não podemos assegurar que chegaremos de volta, pois não existe nenhuma forma de prevenir essas catástrofes. A violência aqui não o do homem contra homem, mas da natureza contra todos. E para conseguir viver diariamente com isso, somente a fé funciona.

Estragos da chuva
Edison Yamazaki
 
Paulistano, preferiu contribuir com o esporte desistindo de ser atleta para estudar Educação Física. Foi da convivência com os seus alunos que ele entendeu que toda emoção que viveu dentro das quadras, dos campos, das pistas e das piscinas é muito mais abrangente do que somente vencer ou perder. Descobriu que as relações humanas e as amizades são tão importantes quanto à saúde e o bem estar. Com isso na cabeça foi para o outro lado mundo e hoje vive em Kyoto.



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