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Marden Machado
Marden Machado
03/03/2020 - 00:53
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A americana Lorene Scafaria iniciou sua carreira no final dos anos 1990 como atriz. Depois, passou também a escrever roteiros e, por fim, estreou na direção de filmes. As Golpistas, de 2019, é seu quinto longa. O roteiro, dela própria, é baseado em um artigo da jornalista Jessica Pressler, publicado na New York Magazine. Acompanhamos aqui a jovem Destiny (Constance Wu), que trabalhou como stripper. Ela descreve em uma entrevista como conseguiu esse emprego após conhecer Ramona (Jennifer Lopez). A rotina de trabalho é pesada e com a crise financeira de 2008 tudo fica ainda mais difícil. É quando Ramona tem uma ideia: atrair homens em restaurantes, dopá-los e tirar dinheiro dos seus cartões de crédito. O plano era perfeito. Afinal, quem teria coragem de denunciá-las? A narrativa de Scafaria privilegia o ponto-de-vista feminino e isso o torna bastante diferente. A começar pela "exploração” do corpo das mulheres. Não há aqui uma objetificação, que seria esperada caso o filme fosse dirigido por um homem. É óbvio que os corpos delas são mostrados. Não esqueça que elas são strippers. No entanto, existe um contexto e um objetivo por trás disso tudo. As Golpistas nos conduz por um mundo que já havia sido apresentado a nós antes, porém, nunca dessa maneira. E isso faz toda a diferença.

AS GOLPISTAS (Hustlers – EUA 2019). Direção: Lorene Scafaria. Elenco: Constance Wu, Jennifer Lopez, Julia Stiles, Mette Towley, Wai Ching Ho, Vanessa Aspillaga e Mercedes Ruehl. Duração: 110 minutos. Distribuição: Diamond Films/Amazon Prime.
02/03/2020 - 00:50
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O cineasta carioca Bruno Barreto nasceu dentro do mundo do cinema. Filho dos produtores Luiz Carlos e Lucy Barreto, desde muito jovem dirige filmes e foi o detentor durante mais de 30 anos da maior bilheteria nacional, Dona Flor e Seus Dois Maridos, que realizou em 1976. Casado então com a atriz americana Amy Irving, Barreto encontrou no conto A Senhorita Simpson, de Sérgio Sant’Anna, o veículo perfeito para um filme estrelado por ela no Brasil. Com roteiro adaptado pela dupla Alexandre Machado e Fernanda Young, temos a obra Bossa Nova, feita no ano 2000. Mary Ann Simpson (Irving) é americana de nascimento, viúva e mora no Rio de Janeiro, onde trabalha como professora de inglês. Entre seus alunos, o advogado Pedro Paulo (Antônio Fagundes) e o jogador de futebol Acácio (Alexandre Borges). Ambos nutrem uma paixão pela "teacher” e esse triângulo amoroso gera muito do humor da trama. Junto isso com equívocos provocados pelas diferenças, tanto de cultura como de idioma, e temos o quadro perfeito para uma deliciosa comédia romântica. Bossa Nova nos mostra a capital carioca de maneira bastante idealizada. Mas essa visão é coerente e plenamente justificada. O universo da senhorita Simpson pede isso.

BOSSA NOVA (Brasil 2000). Direção: Bruno Barreto. Elenco: Amy Irving, Antônio Fagundes, Drica Moraes, Alexandre Borges, Débora Bloch, Giovanna Antonelli, Rogério Cardoso, Alberto de Mendoza e Stephen Tobolowsky. Duração: 95 minutos. Distribuição: Columbia.
01/03/2020 - 03:16
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O ator, roteirista, produtor e diretor australiano Kieran Darcy-Smith está na ativa desde 1992. Atrás das câmaras, O Duelo, de 2016, é seu segundo longa. Com roteiro de Matt Cook, o filme nos apresenta David Kingston (Liam Hemsworth), um Texas Ranger que é designado pelo governador para investigar uma série de mortes estranhas em uma cidade próxima da fronteira com o México chamada Helena. O lugar é dominado com mão de ferro e uma boa dose de fanatismo por Abraham Brant (Woody Harrelson). Há em O Duelo uma aura mística que deixa claro para nós, espectadores, que coisas estranhas realmente acontecem ali. E isso abala a relação de David com sua esposa Marisol (Alice Braga). Lento, no bom sentido, trata-se de um faroeste climático e introspectivo. Algumas questões mal resolvidas do passado sempre reaparecem. E esse "duelo” que dá título ao filme pode ser interpretado de diversas maneiras. Já que nem sempre o que é dito exprime o que realmente o sentimento que carregamos. E nesse ponto em particular, as personagens de David e Abraham, duas grandes e importantes figuras bíblicas, não foram batizadas com esses nomes por acaso.

O DUELO (The Duel – EUA 2016). Direção: Kieran Darcy-Smith. Elenco: Woody Harrelson, Liam Hemsworth, Alice Braga, Emory Cohen, Felicity Price, William Sadler, Chris Baker e Jose Zuniga. Duração: 110 minutos. Distribuição: Netflix.
29/02/2020 - 02:02
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Terceiro longa, em duas décadas de carreira, do roteirista, montador e diretor marroquino radicado na França Robin Campillo, 120 Batimentos Por Minuto tem por base fatos ocorridos em Paris no início dos anos 1990. Com roteiro do próprio Campillo, com a colaboração de Philippe Mangeot, o filme se concentra na ação do grupo ativista Act Up e sua luta para conscientizar a sociedade da importância da prevenção e tratamento adequado aos portadores do vírus da Aids. O número cada vez maior de mortes preocupa Sean (Nahuel Pérez Biscayart), que mesmo debilitado, não descansa da causa. E isso deixa Nathan (Arnaud Valois), que acabou de se juntar à equipe, bastante impressionado. E assim, 120 Batimentos Por Minuto se sustenta entre dois polos. De um lado, o dilema coletivo de pessoas que lutam para ter o mínimo de respeito por parte das autoridades para enfrentar uma gravíssima doença. Ao mesmo tempo, somos conduzidos pelo drama individual de Sean, que não deixa de espelhar muitos outros semelhantes. É essa mistura de ficção e realidade que garante a força desse impactante filme.

120 BATIMENTOS POR MINUTO (120 Battements Par Minute – França 2017). Direção: Robin Campillo. Elenco: Nahuel Pérez Biscayart, Arnaud Valois, Adèle Haenel, Antoine Reinartz, Féliz Maritaud e Aloïse Sauvage. Duração: 143 minutos. Distribuição: Imovision.
28/02/2020 - 04:47
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Vencedor do Oscar de melhor documentário de longa-metragem de 2019, Indústria Americana, dirigido pela dupla Steven Bognar e Julia Reichert é uma produção do casal Barack e Michelle Obama para a Netflix. O tema não poderia ser mais apropriado. Afinal, a partir da grande crise financeira de 2008 os rumos da economia dos Estados Unidos e, consequentemente, do mundo, tomaram caminhos inesperados. É o que aconteceu com uma fábrica de carros da General Motors que fechou no Estado de Ohio e anos depois foi comprada por um chinês bilionário que a transformou para a fabricação de vidros automotivos. Claro que a reabertura daquela instalação traria de volta os empregos perdidos. Porém, há aqui o choque de duas culturas de trabalho bem distintas. E é justamente isso que Bognar e Reichert abordam em seu premiado documentário. Chega a ser impressionante, em muitos momentos, a liberdade que a dupla teve para mostrar situações decorrentes desse embate entre o jeito americano e chinês de lidar com o trabalho. E é daqui que o filme extrai seu maior trunfo.

INDÚSTRIA AMERICANA (American Factory – EUA 2019). Direção: Steven Bognar e Julia Reichert. Documentário. Duração: 115 minutos. Distribuição: Netflix.
Marden Machado
 
Escrevo, todos os dias, sobre um filme, complementando minha participação nos programas Light News (na rádio Transamérica Light FM - 95,1), na rádio CBN Curitiba (90,1 FM), no programa Caldo de Cultura (UFPR TV - canais 15 da NET, 71 da TVA ou via web no http://www.tv.ufpr.br/), e no canal http://www.youtube.com/cinemarden.



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