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Sylvio do Amaral Schreiner
Sylvio do Amaral Schreiner
03/05/2019 - 13:30
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Me sinto muito só. Moro em uma grande cidade, mas não tenho amigos e nenhum relacionamento duradouro. É que é difícil gostar das pessoas. Elas são sempre muito complicadas. Quando estou só até imagino que gosto das pessoas e que quero estar perto delas, mas quando realmente estou com elas não vejo a hora de voltar para casa e ficar sozinho. É difícil suportá-las. Sou homossexual e marco encontro sexuais pela internet todos os dias e às vezes até mais de uma vez por dia. Estou viciado nisso, mas mesmo conhecendo tanta gente não há ninguém com quem eu me relacione. O que será que me acontece?

Você se sente só e, ao que tudo indica, faz de tudo para assim ficar, apesar de isso te incomodar. Você se contraria porque quer estar com gente, mas não as suporta. Quer um namoro, mas persiste em uma promiscuidade que te afasta das pessoas. A questão é: o que será que de fato você quer?

Parece que você quer o impossível. Por isso mesmo fica tão frustrado, porque quem deseja o impossível só se frustra. Na sua imaginação você consegue estar com as pessoas e até ter um namorado, mas a imaginação é controlada por você e depende inteiramente de você apenas. É mais do que imaginação, podemos chamar de alucinação. Você alucina estar com as outras pessoas. Alucinação não precisa passar pelo teste da realidade e os relacionamentos por você criados se moldam a tudo aquilo que você quer e deseja. Assim é fácil mesmo.

Já em um relacionamento verdadeiro existe a presença e a vontade do outro, que pode ser contrária à sua e, com isso, trazer decepções. Uma pessoa real não funcionará de acordo com o que você acha que ela deva ser, mas terá existência própria. É isso que você não suporta. Não tolera a independência do outro e que este tenha funcionamento diferente do seu. Por isso escrevi que você deseja o impossível, pois você quer estar com outros, mas só se for de acordo com o seu desejo e não como eles (os outros) podem ser na realidade.

Ao se isolar você mantém a sua alucinação, porém se empobrece, porque os verdadeiros relacionamentos são reais e difíceis. O prazer do sexo você até tem marcando pela internet, mas esse prazer não te preenche e te deixa com mais sentimentos de solidão e vazio. A compulsão sexual que você hoje apresenta é uma tentativa desesperada de ter contato, contudo este contato não é satisfatório porque não é verdadeiro.

Você precisa compreender o que evita quando troca a realidade pela alucinação. Para isso existe a psicanálise, que pode te ajudar a conhecer o que você vem fazendo e então transformar a maneira que vem vivendo para uma outra que seja, sim, satisfatória verdadeiramente.
29/04/2019 - 09:06
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Um homem inocente foge de dois malfeitores para salvar a vida. Ele, desesperadamente, entra numa caminho que não tinha saída, mas não havia mais como pegar outro, porque seus perseguidores estavam bem atrás. Ele então se põe a rezar "Senhor, mande-me um anjo para proteger o caminho para os meus perseguidores não me pegarem". Mas nenhum anjo surgiu, apenas uma aranha estava na entrada do caminho produzindo uma teia. Ele se desesperou mais ainda e orou mais fervorosamente: "Eu lhe imploro, senhor, envie um anjo para me proteger desses loucos malvados". Porém, mais uma vez nenhum anjo apareceu. Só mesmo a aranha que rapidamente acabou de fazer a sua teia. Nesse momento os malfeitores chegaram e um deles disse que ia entrar pelo caminho que o homem havia tomado para checar se ele estava lá, mas foi impedido pelo companheiro, que exclamou: "Não perca tempo, ninguém foi por aí. Vê? Tem até teia de aranha!

Queremos que as coisas em nossas vidas aconteçam de maneira cinematográfica e pouco importância damos às pequenas coisas que, quando bem usadas, nos trazem benefícios. Neste caso da parábola acima uma simples teia de aranha era a salvação que ele precisava. Ele não precisava de um anjo que se materializasse numa bola de fogo portando uma espada flamejante, bastava a teia. Só que essas são coisas que esquecemos no nosso dia a dia.

Estamos sempre pedindo, sempre rezando por isso ou aquilo, quando já temos tantas coisas na vida para aproveitar, mas que não nos damos conta. Desejamos aquele namorado(a) perfeito(a) quando, na verdade, nós mesmos não nos tornamos pessoas melhores. Queremos empregos melhores quando não nos preparamos para isso verdadeiramente. Imploramos para os nossos familiares mudarem suas atitudes quando nós mesmos continuamos nos comportando do mesmo velho jeito. E o pior de tudo nisso é que perdemos tanto tempo desejando, querendo e implorando que não vivemos o que temos aqui e agora em nossas vidas.

Viver é uma arte e como toda arte é necessário prática e boa dose de reflexão. Saber se desapegar do que se deseja com tanto ímpeto e fazer uso daquilo que está aí em nossa frente prestes a ser desfrutado é uma das coisas mais favoráveis que podemos realizar. Desejar é bom e importante, mas é necessário que não seja o principal, que não seja a viga mestra que nos sustente.

O que deve ser sempre o nosso norte é viver o aqui e agora. Quando nos disponibilizamos para o que o tempo presente nos oferece vivemos de fato e não ficamos dependentes dos desejos. Essa é uma verdade antiga, de milênios atrás. O budismo, por exemplo, fala isso. Pena que muitas vezes nos esquecemos do que é o mais simples .
26/04/2019 - 09:03
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Olá, tenho 16 anos. Minha família briga muito entre si. Todos os dias existem brigas homéricas lá em casa. Meus pais comigo, com meus irmãos, meus irmãos com eles e comigo, e por aí vai. Geralmente o motivo de todas as brigas é o dinheiro, ou melhor, a falta dele. Por não termos dinheiro nos estressamos muito fácil e fazemos da vida um inferno. Acredito que se tivéssemos dinheiro não teria mais briga e desentendimento algum. Ganhar na loteria seria a solução. Por que o dinheiro é tão poderoso assim nas nossas vidas? Por que tem gente que fica rica e outros não?

O dinheiro é um fato na vida. Com os fatos nós só podemos lidar e de nada adianta negar, criticar, desprezar ou fingir que não existe. O dinheiro é um recurso que pode promover segurança, saúde, alimentação, educação e prazer. É impossível viver sem ele. O dinheiro, também, não é bom e nem mau, é só um recurso material e dependendo de como for usado e vivenciado é que vai fazer com que seja bom ou mau. No entanto, parece que você e sua família não veem as coisas desse jeito e isso vem trazendo muitos mal-entendidos.

É evidente que uma situação financeira precária causa muitos dissabores que geram brigas e tensões. Contudo, você acreditar que todos os problemas e brigas seriam sanados com dinheiro é um engano. Talvez inicialmente o dinheiro desse uma tranquilizada no que vocês vivem, porém as brigas e desentendimentos a que você se referiu não têm a ver com a falta de dinheiro, mas com a forma que vocês vivem e se relacionam.

Parece que o dinheiro ganhou proporções demasiadas em sua família e o lugar de panaceia universal. Panaceia é uma simpatia que cura tudo magicamente e sem esforço algum. A única maneira de lidar com tantas brigas é começar a investigar o que vocês jogam uns nos outros sem ninguém conseguir cuidar de si mesmo de maneira eficiente. A "batata quente" de cada um é jogada no colo do outro e a falta de dinheiro é que leva toda a culpa. Como pode ver, a questão vai muito além do dinheiro.

Quanto à sua indagação do porquê algumas pessoas ficam ricas e outras não, não há uma resposta. Há muitas variáveis envolvidas que vão desde habilidades para gerenciar o dinheiro, oportunidades, etc. Todavia, é importante não hipervalorizar o dinheiro, transformando-o em algo milagroso e poderoso. O dinheiro, em si, não é poderoso, mas nós o colocamos assim, geralmente como forma de não ter que lidar com questões subjetivas muito mais importantes. Quando o dinheiro ou a falta dele ganha muito destaque pode estar escondendo outras coisas muito mais relevantes e pessoais.
22/04/2019 - 09:30
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Quando uma pessoa realmente perceber que é a criadora da sua miséria ficará muito difícil para ela continuar vivendo assim. É fácil viver no sofrimento quando se acredita que os outros estão criando todos os obstáculos. Sendo assim, o que alguém poderia fazer a respeito disso? Nada. Ficaria com as mãos atadas e se sentiria apequenada. Por isso há tanta gente que se sente vítima dos outros e do mundo. Só que viver dessa maneira é muito ruim e limitador, já que, numa vida assim, só há espaço para as lamentações.

Entretanto, quando adquirimos consciência que somos criadores de nossa vida e que há meios de vivermos de outras formas, muita coisa pode mudar. Deixaremos de ser vítimas passivas para sermos donos de nossa própria história.

Muitas vezes acreditamos que a vida tem que ser só de uma determinada maneira que leva sempre àquele mesmo sofrimento e que não há mais nada além disso. Quando isso ocorre somos nós mesmos que estamos criando a miséria da vida.

Obviamente há situações em que somos vítimas das circunstâncias. Nestes casos não criamos nossa miséria e sofrimento, mas os ganhamos sem pedir. Porém, na maior parte das vezes os sofrimentos que vivemos são nossas criações. Escolhemos viver mal quando poderíamos escolher viver de uma maneira favorável.

Infelizmente são muitos os que acreditam que nossa sina seja sofrer além da conta. Claro que o sofrimento é parte da vida, mas não precisamos aumentá-lo. Outra coisa que também ocorre é que a pessoa que sofre é vista com bons olhos, é até admirada. Ganha uma aura muito apreciada e valorizada. Já uma pessoa que se permite viver bem é olhada com desconfiança e com inveja.

Criamos misérias porque tememos lidar com a possibilidade de felicidade. O miserável sofredor é aceito e sempre ganha olhares de aprovação, como se assim tivesse que ser a vida. Olhem ao redor e vejam se não é assim. Agora, se você ousar abandonar as misérias e criar outro tipo de vida que não inclua os padecimentos além da conta, suscitará desaprovação e até escárnio. Acharão que algo muito errado deve se passar com você.

Todavia, quem ousa trilhar esse caminho de abandonar as misérias desnecessárias não volta atrás. Sabe que é totalmente responsável pelo tipo de vida que deseja e se torna muito mais consciente das escolhas que fará ao longo de sua caminhada. Quem percebe que cria a própria vida não mais desperdiça tempo.
19/04/2019 - 11:38
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Estamos perto da Páscoa e ressurreição tem tudo a ver com esta celebração, que é uma das mais importantes para o Cristianismo. Depois da quaresma, um período de reflexão, se celebra a Páscoa, momento em que a ressurreição domina o cena. A palavra ressurreição vem do latim ressurrectione que quer dizer levantar, erguer. Na tradição clássica cristã a Páscoa é o momento em que Jesus Cristo ressurge dos mortos para demonstrar a imortalidade da alma. Deixando de lado os dogmas religiosos, que não são o objeto desse texto, podemos aprender muito com o simbolismo desta festa.

Quantas vezes na vida não tomamos um caminho errado, do qual nos arrependemos, e que se insistirmos em continuar nele vamos meio que "morrendo"? Quantas vezes não nos olhamos e notamos que precisamos mudar para viver melhor? Quantas vezes, ao longo das nossas vidas, não precisamos renovar as esperanças para continuarmos bem? Os tombos são sempre freqüentes na vida e quando caímos ficamos frustrados e decepcionados.

É justamente quando nos encontramos caídos que perdemos completamente a esperança na nossa capacidade de se superar e podemos nos entregar a uma autocomiseração sem fim. Nesse momento ficamos com pena de nós mesmos, o que sempre é algo extremamente destrutivo. Todos nós, em algum momento, nos encontramos assim. É a morte simbólica que nos deixa anestesiados e sem muito ânimo ou vontade.

É bem aí que se faz necessário que utilizemos nossas mentes para aprender, refletir sobre o que nos levou a cair e sobre porque escolhemos estes caminhos e não outros que nos seriam mais favoráveis e menos perigosos. É o momento de pensar em novos caminhos e novas atitudes. Enfim, é a oportunidade de se encontrar maneiras de se erguer e continuar a vida de uma forma mais sábia, tendo aprendido com os erros do passado. Isto é tornar-se mais sábio, mais experiente.

A nossa quaresma pessoal (esse momento de reflexão sobre as escolhas que fizemos que nos foram desfavoráveis) pode ser um período muito enriquecedor para abrir as portas para uma nova fase. E essa nova fase tem a ver com esse erguer-se, esse levantar-se e seguir em frente, só que agora mais fortalecido, mais calejado e sábio.

A verdadeira ressurreição pode se dar na nossa vida diária, quando alimentamos a esperança de uma vida melhor, não nos deixando abater pelo desânimo e sentimentos de auto piedade. Que nessa Páscoa todos possamos "morrer" para aquilo que não mais nos serve para nos reerguermos em uma nova vida com novos significados.
Sylvio do Amaral Schreiner
 
No blog Mundo Vivo o psicoterapeuta Sylvio do Amaral Schreiner convida o leitor a refletir sobre questões que afligem e maravilham as pessoas. Por meio de artigos pertinentes e atuais, podemos discutir sobre tudo e, com isso, enriquecer nossa sabedoria – lembrando que sabedoria e conhecimento são coisas diferentes. Conhecimento é TER, sabedoria é SER. Esperamos que este seja um espaço para a sabedoria vir a morar, se modificar e evoluir.



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