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Sylvio do Amaral Schreiner
Sylvio do Amaral Schreiner
19/04/2019 - 11:38
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Estamos perto da Páscoa e ressurreição tem tudo a ver com esta celebração, que é uma das mais importantes para o Cristianismo. Depois da quaresma, um período de reflexão, se celebra a Páscoa, momento em que a ressurreição domina o cena. A palavra ressurreição vem do latim ressurrectione que quer dizer levantar, erguer. Na tradição clássica cristã a Páscoa é o momento em que Jesus Cristo ressurge dos mortos para demonstrar a imortalidade da alma. Deixando de lado os dogmas religiosos, que não são o objeto desse texto, podemos aprender muito com o simbolismo desta festa.

Quantas vezes na vida não tomamos um caminho errado, do qual nos arrependemos, e que se insistirmos em continuar nele vamos meio que "morrendo"? Quantas vezes não nos olhamos e notamos que precisamos mudar para viver melhor? Quantas vezes, ao longo das nossas vidas, não precisamos renovar as esperanças para continuarmos bem? Os tombos são sempre freqüentes na vida e quando caímos ficamos frustrados e decepcionados.

É justamente quando nos encontramos caídos que perdemos completamente a esperança na nossa capacidade de se superar e podemos nos entregar a uma autocomiseração sem fim. Nesse momento ficamos com pena de nós mesmos, o que sempre é algo extremamente destrutivo. Todos nós, em algum momento, nos encontramos assim. É a morte simbólica que nos deixa anestesiados e sem muito ânimo ou vontade.

É bem aí que se faz necessário que utilizemos nossas mentes para aprender, refletir sobre o que nos levou a cair e sobre porque escolhemos estes caminhos e não outros que nos seriam mais favoráveis e menos perigosos. É o momento de pensar em novos caminhos e novas atitudes. Enfim, é a oportunidade de se encontrar maneiras de se erguer e continuar a vida de uma forma mais sábia, tendo aprendido com os erros do passado. Isto é tornar-se mais sábio, mais experiente.

A nossa quaresma pessoal (esse momento de reflexão sobre as escolhas que fizemos que nos foram desfavoráveis) pode ser um período muito enriquecedor para abrir as portas para uma nova fase. E essa nova fase tem a ver com esse erguer-se, esse levantar-se e seguir em frente, só que agora mais fortalecido, mais calejado e sábio.

A verdadeira ressurreição pode se dar na nossa vida diária, quando alimentamos a esperança de uma vida melhor, não nos deixando abater pelo desânimo e sentimentos de auto piedade. Que nessa Páscoa todos possamos "morrer" para aquilo que não mais nos serve para nos reerguermos em uma nova vida com novos significados.
15/04/2019 - 08:58
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Uma frase do escritor Oscar Wilde diz: "O mais terrível não é ter um coração partido (pois corações foram feitos para ser partidos), mas transformar nossos corações em pedra." Quem endurece seus corações com medo de que eles venham a ser quebrados presta um enorme desserviço a si mesmo e deixa de viver experiências muito importantes que nos moldam e permitem sermos quem podemos vir a ser.

Não dá para viver com o coração continuamente engessado. Decepções, frustrações e tristezas são partes da vida. Quem se permite viver de fato sabe disso e aceita que uma hora ou outra o coração vai sofrer. Abrir o peito para viver o que a vida nos traz é um ato de coragem, já que quem abre o coração pode vir a receber golpes que não contava.

Sofrer não é nada agradável e tentamos com todas as nossas forças fugir de qualquer coisa que nos seja desconfortável. A natureza humana é assim, como bem observou Freud, criador da psicanálise. Queremos só aquilo que é bom, agradável e que nos gratifica e evitamos tudo o que for oposto ao nosso prazer.

Só que a vida é mais feita de desprazer do que de prazer. Muitas pessoas ao perceberem que o desprazer é inevitável defendem-se fechando o coração. São aqueles que evitam o amor, a intimidade com alguém importante, a ousadia de se arriscar no desconhecido, a possibilidade de se encantar. São pessoas fechadas em suas fortalezas, atrás de altos muros, que não se permitem amar e ser amadas. Estão protegidas, mas por estarem tão fechadas também não aprendem e nem se transformam. Ficam engessadas e longe do que é verdadeiramente ser um humano.

Quem vive assim não cresce. Fica com tanto medo das dores que o coração vai sentir que evita se dar conta de que porta um coração. Desconhece que o coração é um órgão forte que se regenera e quando assim o faz torna-se mais forte e preparado para as próximas experiências.

Um coração engessado tende a parar, pois ele precisa estar livre para se movimentar e com isso impulsionar nossas vidas. Coração parado jamais fornece vida, mesmo que vida implique também em sofrer.
12/04/2019 - 09:00
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Arte: @dalton.albertin

Fui casado por quase 8 anos e sempre amei e respeitei minha mulher. No entanto, há um ano descobri que ela me trai com um cara do trabalho, que é casado e tem filhos. Fiquei sem chão, mas na época minha esposa disse que foi coisa de um caso só e por isso não me separei. Descobri depois de um tempo que eles se encontram de vez em quando e vão em algum motel. Vi pelas mensagens que eles trocam. Eu coloquei ela na parede e ela diz que gosta muito dele, mas que eles não querem ficar juntos. Estou muito perdido e não paro de pensar nisso. Eles se divertem e eu sofro. Estou pensando seriamente em contar para a esposa desse cara toda essa história. Ela não sabe de nada e não é justo com ela. Ela tem que saber. Quem sabe assim o caso dos dois não acaba e tudo volta a ser como era antes. O que me aconselha?

Eu não aconselho, não acredito em conselhos. O espaço aqui é muito mais para refletir, criar um ambiente para se pensar sobre o que acontece na vida de todos. Conselho é perigoso porque como a vida é sua só você pode tomar a decisão, afinal quem paga o preço pela sua vida é só você. Também não sou dono do que é certo e errado para aconselhar alguém sobre que trilha deve tomar. O que posso te oferecer são minhas reflexões sobre o que você me contou.

Você descobriu que sua esposa te traiu, mas acreditou nas palavras dela de que aquilo não tinha maiores repercussões e, por isso, decidiu continuar com ela. No entanto, descobre depois que sua esposa agora mantém um caso com esse sujeito. Você cobra dela uma posição e, parece, que ela não te dá posição alguma. O seu pensamento vai então para a ideia de acabar com o casamento deste sujeito, fazê-lo sofrer contando tudo para a esposa dele. Você justifica isso como "uma boa ação" para ela saber o que está se passando, mas na verdade está atrás mesmo é de vingança.

Não sabemos quais seriam as consequências de você contar à esposa dele sobre o caso do marido. Não há como prevê-las. Podemos, contudo, imaginar que você já tem problema suficiente na sua vida para dar conta e adicionar mais um seria, no mínimo, imprudente. E mesmo que você justifique que ela tem que saber não é você quem decide isso. Jogar a bomba no ar, talvez, seja arrumar mais sarna para se coçar. Você não vai ser mais feliz por causa disso.

Por fim você se engana quando acredita que as coisas podem voltar a ser como eram antes. Não podem, isso é impossível. Não há como fechar os olhos para o que aconteceu e vem acontecendo e fingir que nada disso tudo existiu. O que você precisa é decidir o que quer desse relacionamento e ver se isso é viável. As coisas que ocorrem devem ser material para você pensar sobre o relacionamento que você de fato vive. Os olhos devem ficar abertos e não fechados.
08/04/2019 - 09:15
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Um homem encontra um conhecido e conta que se casou. O outro se surpreende e pergunta quando e como foi isso, já que ele nada sabia. O recém casado diz então que um dia andava na rua e esbarrou com uma mulher. Ele a xingou de besta, ela disse que besta era ele, ele devolveu que a mãe dela era de reputação duvidosa, ela retrucou que ele era um cão da sarjeta e, xingamento vai e xingamento vem, acabaram se casando.

Uma piada essa história, é claro, mas pena que muitos relacionamentos sejam assim mesmo. Há casais que se odeiam, se maltratam e se desrespeitam quase que diariamente e, mesmo assim, permanecem juntos.

Não é porque duas pessoas estão juntas em um relacionamento que isso é necessariamente bom e saudável. Existem relacionamentos doentios. Muitas pessoas ficam neste tipo de arranjo por variados motivos, mas relacionamentos assim puxam os dois para baixo e podem tornar a vida intolerável e miserável. Não só a deles como também de pessoas que estejam em volta.

Não só o amor pode unir pessoas. Quando se trata de amor podemos falar de relacionamentos maduros e respeitosos. Não tem como ser diferente quando é o amor que permeia a união e relação das pessoas. No entanto, ódio, vingança, ressentimento podem também ligar pessoas, só que o resultado será sempre um relacionamento doentio.

Há pessoas que se juntam para se odiar mutuamente e jogar um no outro a culpa pelas infelicidades que têm ao longo da vida. Isso torna o que poderia ser algo bom, belo e estimulante em algo degradante.

Há até casais que preferem ficar juntos em seus ressentimentos mútuos do que se separar, porque se assim fizessem não teriam mais a quem culpar ou em quem projetar as frustrações. Outros têm medo de se separar porque temem as mudanças que seriam exigidas. Há ainda aqueles que não sabem viver relacionamentos sadios e bons, mas só conhecem os doentios e sobrevivem sem jamais imaginar que pode existir uma vida mais digna.

Casar de verdade é muito mais do que apenas se juntar, é entender o que sustenta essa união.
05/04/2019 - 08:24
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Meu marido não quer mais o casamento. Ficamos juntos, desde o namoro, uns 12 anos. Ele diz que está apaixonado por outra mulher, já se mudou com ela e teve um filho com ela. Não consigo aceitar isso. Como ele joga fora tantos anos de relacionamento por uma aventura? Estou sofrendo e não consigo mais dormir e comer. Não paro de pensar nos dois juntos e se divertindo. Minha vida sempre foi muito bem planejada e arquitetada e não consigo engolir que uma aventureira qualquer roube meu marido. Ele é meu! Eu fiz dele um homem! Estou me acabando por causa desse homem que resolveu explodir tudo o que construí. Não sei mais o que fazer... O que faço?

Seu marido não quer mais o casamento, ele já está com outra, ou seja, já embarcou, mas você se recusa a aceitar. É justamente essa recusa, essa resistência, que te faz sofrer além da medida. Já há toda uma dor no fim do relacionamento, porém quando a não aceitação é adicionada a dor torna-se maior.

Quando você pergunta o que fazer, ao que propriamente você se refere? Se for em relação ao seu casamento não há nada a ser feito e por pior que seja engolir, você terá que engolir. Você não tem poder algum sobre o seu ex-marido e os desejos dele. A verdade é que ele é livre para viver o que quiser ou precisar. Ele independe de você. E parece que é isso que você não entendeu e não entende: que ele é livre e pode ter planos que diferem dos seus. Num casamento não basta apenas um planejar e arquitetar como serão os anos vindouros. A vida, simplesmente, não funciona assim.

Provavelmente te falta aprender que a vida não segue suas ideias e ideais e que é você quem tem que aprender com os acontecimentos da vida. É você quem escolhe no final o que significará toda essa experiência. Você pode aceitar o sofrimento do término e aprender com ele para que no futuro você esteja mais experiente e calejada ou pode insistir em não aceitar que tudo isso ocorreu e se agarrar mais ainda ao sofrimento e se sentir pior. Essa escolha, entretanto, está em suas mãos e pode ser a diferença entre sofrer e sofrer além da conta.

O sofrimento, as decepções fazem parte da vida e não nos cabe dizer nem definir o que se pode ou não nessa vida, quando se trata de dificuldades e adversidades. Nos cabe, no entanto, escolher como vamos lidar com tudo isso.

Quando um relacionamento acaba não há o que se fazer. O amor não pode ser forçado nem obrigado a nada. Até existem muitos casais que continuam juntos mesmo não havendo amor e sentido no relacionamento, mas aí eles vivem uma vida miserável e cheia de ressentimentos de um pelo outro. Será que você prefere isso a seguir em frente, abrir mão dos seus planos antigos e criar novos que te favoreçam aproveitar melhor a vida? A escolha é sua.
Sylvio do Amaral Schreiner
 
No blog Mundo Vivo o psicoterapeuta Sylvio do Amaral Schreiner convida o leitor a refletir sobre questões que afligem e maravilham as pessoas. Por meio de artigos pertinentes e atuais, podemos discutir sobre tudo e, com isso, enriquecer nossa sabedoria – lembrando que sabedoria e conhecimento são coisas diferentes. Conhecimento é TER, sabedoria é SER. Esperamos que este seja um espaço para a sabedoria vir a morar, se modificar e evoluir.



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