20/04/18
27º/17ºLONDRINA
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24/12/2017 - 02:02
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Quando eu era criança minha avó Mirtes costumava contar lendas de Natal para mim .
Sabe aquelas estórias natalinas contadas pelos idosos , que todo o ano um neto pede :
- Vovó , conta aqueles contos de final de ano , só mais uma vez ?!
- Só mais uma "vezinha" ?!
São lendas que toda a vez que os mais velhos contam saem modificadas , mas que sempre valem a pena escutar . Por isto resolvi relatar estas estórias abaixo :

Os Sapatos Mágicos :

Nos anos setenta havia , em Curitiba , uma moça chamada Railde que era gerente de uma loja de calçados . Numa véspera de Natal , às dezoito e trinta , uma catadora de papel que levava no seu carrinho mais dois filhos , perguntou à Railde :
- Será que a senhora não tem um presente de Natal para as minhas crianças ?
- É que sou muito pobre e não dinheiro comprar regalos aos meus filhos .
- Já pedi ajuda em mais de trinta lojas , mas ninguém quis colaborar ...
Então a gerente olhou , fixamente , para os pés destas pessoas carentes e falou :
- Espere um minuto , por favor .
Logo a moça chegou com três caixas de sapatos e afirmou :
- Estes são os presentes de vocês !
- Queiram experimenta – los, por favor !
As crianças sorriram , de uma forma radiante , e correram para provar os seus regalos , que couberam em seus pés . Desta maneira , senhora carente falou :
- Obrigada !
- Mas não devo experimentar os meus sapatos . Pois pedi presentes somente para os meus filhos .
Porém Railde insistiu :
- Por favor , prove o calçado ...
- È um presente de Natal !
A mulher provou e exclamou :
- Obrigada !
- Hoje a meia – noite você terá uma surpresa !
Após pronunciar estas palavras , a senhora foi embora com seus filhos contentes .
Ao chegar a sua residência , a gerente preparou a ceia pois receberia os seus parentes mais tarde . As horas passaram , os convidados chegaram e quando todos aproveitavam a festa Railde escutou um barulho estranho , uma mistura de sininhos com trote de animais , vindo do quintal . Quando a moça chegou até o local , viu os sapatos que ela tinha dado para as pessoas carentes e dentro deles a gerente encontrou moedas de ouro até as canelas destes calçados .

Quadro de Neiva Passuello
Quadro de Neiva  Passuello


O Ladrão Que Virou Papai – Noel

Há muitos anos atrás numa cidade muito distante , na véspera de Natal , um xerife saiu com sua família para buscar a sogra com o objetivo de que ela participasse da ceia de Natal . Naquele instante Mark , um ladrão bêbado e faminto , vendo que as pessoas saíram daquela residência , resolveu penetra – la pela chaminé , mas ficou entalado no local .
Quando o xerife voltou , escutou um barulho que vinha pela tubulação e descobriu que havia um ladrão dentro . O proprietário jogou óleo de cozinha em cima do bandido , que acabou caindo na lareira apagada . Então o policial mostrou sua arma ao marginal e exclamou :
- Como hoje é véspera de Natal eu não vou mata – lo !
- Mas você vestirá uma roupa de Papai - Noel para animar meus filhos e seus amiguinhos !
- Aqui está o saco de presentes e a roupa de São Nicolau !
- Vista logo , senão poderá levar chumbo !
O meliante obedeceu ao policial e quando as crianças chegaram , distribuiu presentes a elas e participou de muitas brincadeiras .
No dia seguinte o xerife prendeu o ladrão . Porém ele prometeu que poderia diminuir a pena de Mark , caso ele prestasse serviços voluntários à comunidade . Então o marginal aceitou o acordo e uma das atividades era vestir – se de Papai – Noel e animar orfanatos .
Quando Mark completou a pena foi trabalhar, honestamente , como marceneiro e limpador de chaminés . Mas ele continuou a vestir – se de São Nicolau para animar crianças carentes . Porém com uma diferença : o homem passou a distribuir brinquedos de madeira que ele próprio fabricava em sua marcenaria .
Com o tempo seus negócios prosperaram e ele passou a contratar somente funcionários anões . Por causa disto tudo , ele passou a ser chamando naquela cidade interiorana de : " O Verdadeiro Papai – Noel " .
Quando Mark faleceu várias pessoas , que passavam em frente ao cemitério em que ele foi enterrado , falaram que viram um senhor vestido de Papai – Noel caminhando pelo campo – santo. O mais interessante foi que no mesmo ano de sua morte , bem na véspera de Natal , fenômenos estranhos passaram a acontecer : brinquedos novos de madeira surgiram , misteriosamente , nos quartos de todas as crianças da pequena cidade . Reza a lenda que isto acontece até hoje por lá e algumas criaturas afirmaram que viram o fantasma de Mark vestido de Papai – Noel em muitas vésperas de Natais .

Luciana do Rocio Mallon
22/12/2017 - 05:04
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Em 1950, um trem modelo Maria Fumaça Mallet 204 foi fabricado nos Estados Unidos. Então ele andou um tempo por lá com um maquinista chamado Mark. Numa véspera de Natal este homem estava dirigindo o trem quando, de repente, viu uma menina loira amarrada nos trilhos. Então ele freou, rapidamente, e pediu para os céus que o veículo não passasse por cima da criança. Deste jeito, tudo deu certo. O rapaz desceu do trem e perguntou à garota:
- O que aconteceu?
A criança respondeu:
- Sou Helen e meu padrasto me amarrou, na linha do trem, para que eu morresse. Sempre sonhei em ganhar uma viagem de trem na véspera de Natal.
Assim Mark desamarrou a pequena e deu um passeio de trem com ela. Depois deixou a criança em um hospital para que fizesse exames. No dia seguinte Mark voltou ao hospital e descobriu que a pequena tinha falecido. Porém ela deixou o seguinte bilhete:
- Daqui a cinquenta anos, aquele trem virará uma Maria Fumaça de Natal que fará a alegria de muitas crianças.
O tempo passou e a Maria Fumaça Mallet 204 veio para o Brasil. Deste jeito ela foi usada para transportar carvão durante muitos anos.
Porém em dezembro de 2017 ela foi restaurada e virou um trem, com luzes e enfeites de Natal, que passa pelos bairros de Curitiba chamado a atenção das pessoas, principalmente, dos pequenos. Algumas crianças afirmaram que viram uma menina loira dentro do trem. Porém esta Maria Fumaça não aceita passageiros. Por isto dizem que a misteriosa garota pode ser o fantasma de Helen, já que o sonho dela sempre foi passear de trem nas vésperas do Natal.
Reza a lenda que se alguém fizer um pedido, durante a aparição desta Maria Fumaça, seu desejo será atendido.
Luciana do Rocio Mallon

Luciane Mallon na fotografia de Decio Romano.
Luciane Mallon na fotografia de Decio Romano.


Luciana do Rocio Mallon é formada em Letras pela UFPR , Magistério pelo Colégio São José e Hospitalidade pelo CEP.
Faz repentes e pesquisa lendas desde os 6 anos de idade.
Lançou o livro Lendas Curitibanas em 2013. Também participou das antologias: Poetas de Curitiba, As Herdeiras de Lilith, Ossos do Ofício e Túnel do Tempo – Crônicas Curitibanas. Realiza "performances" voluntárias em eventos.
15/12/2017 - 16:57
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Nosso entrevistado é João Luiz Fiani, ator, diretor, produtor, escritor, radialista e empresário, foi o fundador do Teatro Lala Schneider, atualmente é o Secretário de Estado da Cultura. Como diretor de tearo, já recebeu o Prêmio Gralha Azul. Participou do filme Balada do Vampiro, de Beto Carminatti, 2007, recebendo o prêmio de melhor ator no Festival Latino Americano de Curta-Metragens de Canoa Quebrada. Entre outros trabalhos na televisão, contracenou com Camila Pitanga na novela Babilônia, da Globo. É interessante destacar que Fiani recebeu autorização do escritor Dalton Trevisan para levar suas obras ao teatro. Fiani se caracteriza pelo espírito humanista. Seus seus trabalhos são realizados com seriedade, responsabilidade e criatividade.

João Luiz Fiani - Foto do Facebook
João Luiz Fiani - Foto do Facebook


*O senhor é conhecido por seu trabalho na área de teatro. Iniciou cedo, aos treze anos de idade. Como foi esse início participando de peças no colégio e depois frequentando o Curso Permanente de Teatro no Guaíra. Quais eram as suas expectativas? Elas se realizaram?

Realmente comecei muito cedo! O teatro me fisgou desde o início! Acho que obtive sucesso por não ter muitas expectativas. Vivo a minha profissão dia a dia. Acredito que se trabalharmos sério, com determinação, amando o que fazemos, alcançamos os resultados. Hoje tenho muito mais do que sonhei ter quando comecei minha carreira.

*Como surgiu a ideia de fundar o Teatro Lala Schneider, que foi o primeiro teatro de iniciativa privada de Curitiba?

Sempre quis ter meu espaço. Sempre achei que os espetáculos ficavam pouco tempo em cartaz aqui em Curitiba. Sonhava, desde o começo, com um espaço cultural, que pudéssemos viver de teatro. Isso parecia um sonho na época. Muitos me chamaram de louco! Mas o tempo mostrou que eles estavam errados. Quando fazemos a coisa certa, os resultados podem ser alcançados.


*Como radialista, ator, dramaturgo, produtor, diretor teatral, escritor de peças e empresário, tem experiência ampla no mundo do teatro. Em qual desses trabalhos se sente mais confortável, com maior liberdade de criação?

Acho que em todos. Faço com prazer. Gosto das áreas que atuo. Sempre gostei. É claro que as funções artísticas dão mais prazer. Ser empresário e produtor nesse país cheio de encargos é uma tarefa quase que impossível.


*Que tipo de obra teatral prefere atuar ou dirigir: musical, humor, drama, terror, infantil, ou outra em especial?

Não tenho essa preferência. Faço o que tiver que fazer. É claro que determinados trabalhos dão mais prazer que outros. A preferência está diretamente ligada ao que queremos dizer com um trabalho! Existem projetos, acalentados há anos, que nos fazem mais felizes. Mas amo todos, como filhos!



*Fiani, na sua opinião, que tipo de personagem exige uma maior concentração e mais trabalho por parte do ator?
Todos. Fazer teatro exige acima de tudo RESPEITO com a plateia. Estar em cena é uma grande responsabilidade! Fazer bem feito, qualquer coisa, precisa de concentração e trabalho!

Fotografia de Isabel Furini tirada em 2009
*Como diretor de teatro e produtor o senhor realizou diversas escolhas de peças teatrais. Qual é o elemento principal para essa escolha?

São algumas situações determinantes. Mas a principal é o que QUEREMOS falar! O que desejamos discutir, propor, questionar. Os melhores trabalhos são frutos de uma vontade imensa de levar alguma informação para quem nos assiste. Seja ela qual for!


*Alguns consideram que com o surgimento da internet o teatro perdeu espectadores. Na sua opinião ela afetou negativamente o Teatro? De que maneira?

Afeta! Afeta e muito! Hoje as pessoas estão permanentemente diante dos tablets, dos smartphones... O Teatro fica em segundo plano, infelizmente. É difícil até para o espectador largar o celular durante as apresentações. A sociedade está DOENTE. E as artes ainda vão sofrer muito com essa patologia.


*Qual sua visão da posição do Teatro em nosso Estado? Existe um público fixo, cativo? Esse espaço cultural é valorizado pelo povo? Acredita que os jovens gostam de assistir peças teatrais?

Vou ampliar essa análise em termos nacionais. O Brasil sofre com ausência de público. Os teatros estão vazios. As pessoas se afastaram do teatro. É claro que algumas peças – de alguns atores GLOBAIS, de youtubers e grupos ligados a Internet – levam PUBLICO ao teatro, mas são minoria. Os espaços culturais sofrem muito. Muitos estão fechando portas. Os jovens se afastaram da cultura na sua maioria. O quadro é triste. E a doença da INTERNET é a causadora!

*Fale-nos de alguns de seus projetos na área da Cultura que trouxeram (ou trarão) benefícios para as Artes (Teatro, Música, Dança, Cinema, Literatura, Artes visuais, ou outras).
Fica difícil falarmos de nosso trabalho! Enaltecermos o que fizemos. Mas muitos dos meus espetáculos tocaram as pessoas, fizeram rir, chorar, emocionar, pensar... Quando subimos num palco, estamos vivendo e fazendo arte. Perpetuando a vivência artística, que faz o SER HUMANO ser mais inteiro. Completo!

*Qual seria o seu conselho para os jovens que estão dando os primeiros passos no mundo do teatro?

Sejam felizes. O TEATRO é a arte completa que nos completa e nos torna melhores. Fazer teatro é um constante AUTO-CONHECIMENTO. E quanto mais nos conhecemos, mais felizes podemos ser. Vivam a arte com intensidade, com alegria, com amor... O TEATRO é único e nos torna únicos!
12/12/2017 - 05:13
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O jornalista José Aparecido Fiori lançou em 29 de novembro, no Bar Stuart (Praça Osório) o livro "Lolita de Curitiba". São 180 páginas com diagramação, ilustrações e arte de Attila Wensersky.

O livro tem os elementos que caracterizam os grandes livros de ficção: Tragédia, crime hediondo, um ignominioso delito.
Vítimas do serial killer ao desabrigo, sem guarda, sem guarida, gurias gritam em coro estupradas. Feridas de morte, clamam por vida.

Estrangulada, Estraçalhada, Estupro de vulnerável, a manchete, o repique da reportagem policial não cala.

"Lolita de Curitiba" é um romance forte, com cenas bem elaboradas. Fiori, como jornalista, tem experiência na área da escrita, e consegue despertar e manter o interesse do leitor.

José Fiori e Angel Popovitz
José Fiori e Angel Popovitz


Sobre o livro:
- um ensaio literário misto de ficção, poesia, prosa, realidade e religião com cenários de Curitiba.
- a caçada ao serial killer.
- a captura frustrada do Monstro estuprador.
- ninfomania.
Memórias de uma sequência de crimes não resolvidos, o autor escreve na linha do tempo, externa sua ira na lira.
Como Dom Quixote, acredita em monstros.
Eles existem, insiste, em sua caça ao Monstro, ou Monstra?
Desmascara a farsa policial que investiga, que espetaculariza pelo método da tortura, que retroalimenta com propinas os programas policiais, que procrastina a prisão do bandido. O estupro horripilante do facínora, faz sentido a pena de morte, antes o Monstro – ou a Monstra – não tivesse Nascido.

O livro pode ser adquirido pelo facebook José Aparecido Fiori, pelo WhatsApp 41-997451155, ou na Banca da Boca - na Boca Maldita de Curitiba.
11/12/2017 - 21:06
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Os pés do menino pousam suavemente
no asfalto ainda abrasado pelo calor do dia.

No lusco fusco, ouve piadas maldosas a respeito
de suas sandálias rústicas, suas roupas estranhas.

Vê velhos, jovens e também crianças nas sarjetas,
cheiros diversos, miséria financeira e moral.

Afasta-se até uma construção grande, periféricamente
Iluminada, nas escadas é barrado:
- Fora fedorento se entrar te arrebento.

Um casal sorridente, perfumado desvia Dele com ar de nojo, sem perceber que
Ele cheira a incenso, Seus pés tem um finíssimo halo
de ouro e em toda

Sua figura um rastro de ungüento - saúde eterna

Acariciando a cabeça de um cachorro de rua, único que
O reconhece e prostrado Lhe lambe as mãos

Observa aquele fragmento da humanidade que célere a pé ou
motorizado, passa em todas as direções, suspira _2016 anos não
foram suficientes para eles.

Sem que ninguém perceba, Ele e o cachorro desaparecem.

Feeeliz natal!

Sonia Cardoso - é poetisa e romancista.
Isabel Furini
 
Isabel Furini, escritora e educadora. Recebeu prêmios em concursos de poesia e de contos. Publicou 15 livros, entre eles: Mensagens das Flores e Ele e outros contos. Também escreve para o público infanto-juvenil. É autora da coleção "Corujinha e os Filósofos" da Editora Bolsa Nacional do Livro de Curitiba.



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