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Marden Machado
Marden Machado
09/11/2019 - 01:01
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O cineasta Ali Abbasi nasceu, cresceu e se formou no Irã. Mas, desde 2002, quando se mudou para a Europa para uma pós-graduação, reside na Suécia. E lá ele iniciou seu envolvimento com o cinema em 2008, quando dirigiu seu curta de estreia na Escola de Cinema da Dinamarca. Oito anos depois fez Shelley, seu primeiro longa, e logo depois Border, filme que lhe deu projeção mundial. Com base em um conto de John Ajvide Lindqvist, roteiro foi escrito pelo próprio autor junto com o diretor e Isabella Eklöf e nos conta uma história das mais curiosas. Somos apresentados a Tina (Eva Melander). Ela é uma policial que trabalha na imigração e fiscaliza os passageiros e suas bagagens. Trata-se da pessoa ideal para este serviço, uma vez que ela possui um dom especial: seu olfato é bastante apurado, o que se revela de grande utilidade em sua rotina de trabalho. Além disso, Tina é dotado de um instinto mais apurado ainda. Certo dia, um encontro com Vore (Eero Milonoff) desperta nela a possibilidade de ter encontrado alguém semelhante. Border é um filme esquisito. Mas o "esquisito” aqui é um elogio. É difícil que você já tenha visto algo parecido. Abbasi nos conduz por uma trama cheia de boas e surpreendentes reviravoltas. Pode arriscar. Acredito que você não se arrependerá.

BORDER (Gräns – Suécia/Dinamarca 2018). Direção: Ali Abbasi. Elenco: Eva Melander, Eero Milonoff, Jörgen Thorsson, Ann Petrén, Sten Ljunggren, Rakel Wärmländer e Josefin Neldén. Duração: 110 minutos. Distribuição: Arteplex.
08/11/2019 - 00:58
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Os irmãos cineastas Rodrigo e Sebastián Barriuso nasceram em Cuba e hoje vivem no Canadá. Em O Tradutor, seu longa de estreia, eles nos contam, a partir do roteiro de Lindsay Gossling, a história de Malin (Rodrigo Santoro), o pai deles. A ação se passa em Havana e tem início no ano de 1986. Mais precisamente na sequência do acidente na usina de Chernobyl, na então União Soviética, atual Rússia. Malin é professor de literatura russa na Universidade de Havana e é intimado pelo governo cubano a trabalhar no hospital local como tradutor para as crianças soviéticas vítimas da radiação nuclear. O resumo já indica o caráter, ou melhor, o potencial melodramático que o filme tem. Felizmente, os Barriuso não sucumbem ao apelo natural da história. Feito para homenagear o pai dos diretores, O Tradutor é respeitoso na abordagem e toma um bom distanciamento para escapar de armadilhas que costumam aparecer em narrativas similares. Mas não pense com isso que se trata de um filme frio. Muito pelo contrário. Na verdade, os irmãos cineastas, cientes da forte carga dramática que tinham nas mãos, optaram por não carregar nas tintas mais do que o necessário. O resultado emociona, sem jamais cair na pieguice. E isso não é pouco.

O TRADUTOR (Un Traductor – Cuba/Canadá 2018). Direção: Rodrigo e Sebastián Barriuso. Elenco: Rodrigo Santoro, Maricel Álvarez, Genadijs Dolganovs, Eslinda Nuñez, Milda Gecaite, Yoandra Suárez e Nikita Semenov. Duração: 107 minutos. Distribuição: Galeria.
07/11/2019 - 00:54
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Refilmar um clássico é sempre um grande desafio. E quando este clássico é também cultuado por uma fervorosa legião de fãs, o desafio é ainda maior. Luca Guadagnino, um dos mais talentosos diretores italianos de sua geração, não se intimidou e realizou sua versão de Suspiria, refilmagem da obra-prima de 1977 escrita e dirigida por Dario Argento. Com o desnecessário subtítulo nacional de A Dança do Medo, o roteiro escrito por David Kajganich não apenas respeita, mas também amplia o material original. Tudo começa quando a jovem bailarina Susie Bannion (Dakota Johnson) chega à Berlim para estudar na famosa Markos Tanz Company. Seu objetivo é ser orientada por Madame Blanc (Tilda Swinton). Susie fica amiga de Sara (Mia Goth) e toma conhecimento de alguns sumiços misteriosos envolvendo alunas da escola. Guadagnino não se limita à simples homenagem ao universo de Argento. Cineasta de sólida filmografia, ele, claro, reverencia o filme do ídolo, porém, nos apresenta sua visão especial daquela mesma história. O vermelho, como esperado, tem papel importante nas imagens mostradas e pontua boa parte das cenas. E a atriz-fetiche do diretor, no caso, Tilda Swinton, está presente em dois papéis de destaque. O ideal é assistir ao original e emendar na sequência esta refilmagem. Simplesmente hipnotizante.

SUSPIRIA: A DANÇA DO MEDO (Suspiria – Itália/EUA 2018). Direção: Luca Guadagnino. Elenco: Dakota Johnson, Tilda Swinton, Mia Goth, Chloë Grace Moretz, Jessica Harper, Ingrid Caven, Angela Winkler e Sylvie Testud. Duração: 152 minutos. Distribuição: PlayArte.
06/11/2019 - 06:06
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O roteirista, produtor, diretor e montador australiano Anthony Maras começou sua carreira em 2005 e realizou três curtas ao longo dos seis anos seguintes. A estreia em longas veio somente em 2018. E que estreia. Atentado ao Hotel Taj Mahal, que teve o roteiro escrito por ele próprio, junto com John Collee, é um eletrizante drama inspirado em uma história real ocorrida em Mumbai, na índia, em 2008. Tudo começa quando um grupo terrorista chega à cidade disposta a atacar locais conhecidos da cidade. Um desses locais é justamente o hotel que dá título ao filme. Merece destaque o fato de os roteiristas terem tido acesso às gravações das conversas dos terroristas, que são reproduzidas aqui. Isso dá à obra uma autenticidade ainda maior. Entre os funcionários do hotel, Arjun (Dev Patel) se sobressai ao agir prontamente para proteger os colegas e os hóspedes. Atentado ao Hotel Taj Mahal é tenso, como se espera de uma trama como esta. No entanto, Maras imprime um ritmo que potencializa sobremaneira as situações apresentadas ao apostar suas fichas no fator humano. Isso faz toda a diferença.

ATENTADO AO HOTEL TAJ MAHAL (Hotel Mumbai – Austrália 2018). Direção: Anthony Maras. Elenco: Dev Patel, Armie Hammer, Jason Isaacs, Nazarin Boniadi e Anupam Kher. Duração: 123 minutos. Distribuição: Imagem Filmes.
05/11/2019 - 00:57
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Estreia na direção do ator francês Nicolas Bedos, Monsieur e Madame Adelman é simplesmente um achado. O roteiro, escrito pelo próprio Bedos, junto com sua companheira na vida real e também atriz Doria Tillier, pode ser classificado como uma história de amor. No entanto, convém advertir, não se trata de uma história de amor convencional. Muito pelo contrário. A trama criada por Bedos e Tillier passa longe do convencional. E os roteiristas, com forte presença em cena, se destacam nos papéis de Victor (Bedos) e Sarah (Tillier). Acompanhamos aqui a relação dos dois por cerca de 45 anos. Ele ainda um aspirante a escritor e ela decidida a conquista-lo de qualquer maneira. O mais interessante é que o filme nunca cai na pieguice. O equilíbrio estabelecido entre a comédia e o drama é, para dizer o mínimo, simplesmente perfeito. Ambos estão ótimos. Porém, Doria Tillier rouba todas as cenas em que aparece. É através do olhar dela que somos conduzidos. E que condução estupenda. E em capítulos. No final, fica aquela sensação boa de termos testemunhado um relacionamento palpável, verdadeiro. Outro ponto que merece destaque é a direção de arte e os figurinos. Já que tudo começa no início dos anos 1970 e vai até 2015, os cenários e as roupas têm papel importante na autenticidade da história que está sendo contada.

MONSIEUR E MADAME ADELMAN (Mr. et Mme. Adelman – França 2017). Direção: Nicolas Bedos. Elenco: Nicolas Bedos, Doria Tillier, Denis Podalydès, Pierre Arditi, Zabou Breitman e Julien Boisselier. Duração: 120 minutos. Distribuição: Imovision.
Marden Machado
 
Escrevo, todos os dias, sobre um filme, complementando minha participação nos programas Light News (na rádio Transamérica Light FM - 95,1), na rádio CBN Curitiba (90,1 FM), no programa Caldo de Cultura (UFPR TV - canais 15 da NET, 71 da TVA ou via web no http://www.tv.ufpr.br/), e no canal http://www.youtube.com/cinemarden.



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