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Sylvio do Amaral Schreiner
Sylvio do Amaral Schreiner
21/06/2019 - 08:48
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Estou com sérios problemas. Sempre fui um adolescente normal, namorei, noivei e hoje sou casado. Amo minha mulher, mas não consigo mais transar com ela. Só consigo me excitar com pornografia. Assisto umas duas ou três vezes por dia e me masturbo. Com tudo isso não tenho mais pique para fazer nada com ela. Quero fazer na real, mas tem um bloqueio que me impede e me faz ficar só na pornografia. Ouvi dizer que existe vício por pornografia e queria saber se é o meu caso e o que tenho que fazer a respeito. Ah, tenho 34 anos e não tenho problema de saúde algum. Há amigos meus que também veem pornografia, mas conseguem se relacionar com suas esposas normalmente.

Há amigos que veem pornografia, mas seguem normalmente com a vida e não ficam dependentes dos vídeos para se excitar. Porém, você percebe que não é assim para você e se dá conta que está perdendo algo importante com sua esposa. Em outras palavras, você tem consciência que algo não vai como você gostaria e parece que vem causando certo grau de sofrimento.

A questão é menos a pornografia em si e mais o que você vem fazendo com ela. Que uso será que você vem dando para o ato de assistir pornografia? Nem sempre foi assim, mas por alguma razão hoje este ato se transformou em algo repetitivo e aprisionador. Tanto que você se sente preso e dependente, como se não pudesse existir vida fora desses estímulos. Hoje você se repete, ou seja, sofre uma compulsão.

Uma compulsão não nasce à toa, do nada. Ela tem um significado, só que este não é manifesto, precisa ser investigado. Essa investigação é sobre si próprio, sobre o que se passa na sua mente e que sentidos você está dando para os objetos da sua vida. A sexualidade, que é geradora de vida e prazer, virou para você promotora de sofrimento. O que será, que sem você saber, transformou algo bom em algo tão empobrecido?

O saber que você necessita pode ser desenvolvido se você se colocar em análise. Quando aprender a se ouvir poderá compreender o que você está de fato repetindo e mudar isso. Quem não sabe de si próprio está fadado a se repetir no sofrimento. Apenas quando deixamos de ser ignorantes de nós mesmos é que podemos trilhar outros caminhos que nos permitam viver de maneira mais favorável e proveitosa. Não perca tempo e procure se ajudar.
17/06/2019 - 09:47
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Um homem vivia à beira da estrada e vendia cachorros-quentes. Não possuía rádio e por problemas de visão não podia ler jornais. Em compensação, vendia bons cachorros-quentes. Colocou um cartaz na beira da estrada, anunciando a mercadoria, e ficou por ali gritando quando alguém passava: "Olha o cachorro-quente especial!" E as pessoas compravam. Com isso, aumentaram os pedidos de pão e salsicha, e ele acabou construindo uma mercearia. Então, ao telefonar para o filho, que morava na capital, e contar as novidades, o filho lhe disse:

- Pai, o senhor não tem ouvido as notícias? Há uma crise muito séria e a situação do país e internacional é perigosíssima.

Diante disso o pai pensou: "Meu filho mora na capital, estuda em universidade, vê notícias, portanto deve saber o que está dizendo!" E reduziu os pedidos de pão e salsicha, tirou o cartaz da beira da estrada e não ficou por ali apregoando o seu produto. As vendas caíram enormemente. Então, disse ao filho: "Você tinha razão, filho, a crise é muito séria!"

Fico imaginando o quanto nós mesmos não impedimos nossas experiências e vivências de se desenvolverem. Às vezes, está tudo se encaminhando, seja no nosso romance, nos nossos planos, nos nossos sonhos e, por algum motivo que pensamos ser muito real, paramos com tudo. Estagnamos e não acreditamos que possa ser diferente. Com muita facilidade abandonamos o que nos é caro.

Penso que temos medo de ser feliz de fato. Parece contraditório, afinal quem não quer ser feliz? Mas nos sentimos culpados, mesmo que culpa não haja. Tememos dar certo em muitas coisas em nossas vidas. Achamos que o normal, o natural, é dar tudo errado e que o certo é um mero acidente. Quantas vezes não paramos porque parece estranho seguir em frente com tudo indo bem?

Damos tanto valor à percepção geral do senso comum de que tudo tem que ser muito difícil que não acreditamos quando algo vai bem. Não estamos destinados a sofrer à toa. A vida já nos traz sofrimentos suficientes, mas não precisamos acrescentar mais.
14/06/2019 - 10:46
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Sou casado há um tempo e sou feliz, amo a minha esposa e não tenho nenhuma vontade de ser traído por ela. No entanto adoro imaginar minha esposa sendo possuída por outro cara. Eu gosto de imaginar ela sendo penetrada enquanto faz sexo oral em mim. Já falei isso com ela e nós gostamos de ficar na cama falando sobre isso, fantasiando, mas nunca chegamos a discutir a realização dessa fantasia. Na verdade eu não sei se isso me excita apenas pelo fato de ser uma fantasia. Como posso saber? Você acredita que eu devo introduzir o assunto com ela?

Você me pergunta se eu acredito se você deve introduzir o assunto com sua esposa, mas este assunto já não foi trazido à tona? Tanto que vocês dois fantasiam com o ménage masculino. Então, se não foi isso, o que será que você me perguntou de fato?

Levanto a hipótese que você tenha me perguntado se eu apoio que você realize esta fantasia. Pedindo a minha confirmação e a certeza de que tudo acabará bem. Agora, por que será que você pensa que eu tenho esta resposta? Certamente porque você está em dúvida e quer que alguém se responsabilize pelo que cabe a você decidir. Se você propuser e ela aceitar você teme arcar com as consequências. Já se ela recusar ela poderá virar uma estraga prazeres. Você se coloca numa posição impossível de ser satisfeito.

Não há problema algum em viver a fantasia do ménage se for o que os dois quiserem. Contudo, há consequências que podem ser agradáveis ou desagradáveis. Não há como uma experiência desta ser vivenciada sem haver consequências. A gente só arrisca, ou pelo menos deveria ser assim, quando suporta que pode haver perda. Sem esta tolerância o melhor é não arriscar.

A fantasia com ela você já vive de certa forma, mas a prática, não. Por que será que você precisa colocar em prática algo que pode te levar a uma perda que você não sabe se pode suportar? Talvez o ideal agora fosse suspender a fantasia para procurar uma análise e tentar compreender o que você faz consigo e em que posições você se coloca. Se descobrir que é o que quer, mesmo considerado os riscos, e ela aceitar, vá em frente ser feliz. Se descobrir que no fundo não é o que deseja pode, então, aprender a se preservar de você mesmo.

Boa sorte.
10/06/2019 - 09:21
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Recebi a seguinte história e aqui a reproduzo, sem saber quem a escreveu:

Era uma vez um homem que tinha uma floricultura e como alguém que vivia no meio das flores, entendia muito sobre o amor. Era Dia dos Namorados e um rapaz entrou apressado, dizendo-lhe: "Me providencie, por favor, um buquê de flores". "E que tipo de flor deseja?" "Qualquer uma. Só quero algo que seja vistoso, pode ser a mais cara que tiver". "Está certo. Tome o cartãozinho para você escrever a mensagem". "Não há necessidade, é para minha namorada. Como hoje é Dia dos Namorados, ela saberá que é meu". "Você que sabe, mas no seu lugar, escreveria". "Não posso, estou com imensa pressa. Tenho muitas coisas a resolver".

Depois que o rapaz se foi, o senhor ficou ali a pensar como alguém poderia enviar flores sem as escolher, sem escrever um cartão com uma bela dedicatória...mas, enfim, preparou um bonito buquê e mandou para o endereço, pensando: "Coitada dessa moça!"

Algumas horas depois, outro rapaz entrou: "Senhor, por favor, quero mandar uma flor para alguém e é alguém muito especial, mas não tenho dinheiro suficiente para um buquê. Terá que ser somente uma rosa, mas faço questão que seja uma muito linda". "Pois bem, você quer escolhe-la?" "Sim, mas aceito a sua sugestão". "Será um prazer, ela é sua namorada?" "Não. Ainda não, mas isto não importa agora. O que importa é que eu gosto dela e acho hoje um bom dia para dizer isso a ela". "Muito bem, concordo com você". "Talvez eu devesse dar um botão de rosa, não acha? Afinal, nosso amor ainda não floresceu". "Bem pensado".

Naquele instante, o senhor percebeu que o rapaz já estava vivendo um doce amor. "Faça o mais bonito invólucro que o senhor puder enquanto escrevo o cartão". E ele escreveu: "Meu amor, estou lhe mandando este botão de rosa juntamente com meu carinho. A mim não me importa que você não me ame, porque apesar do meu amor ser solitário, ele é verdadeiro e, sendo verdadeiro, confio que um dia poderá viver acompanhado do seu. Não tenho pressa. Amor de verdade não tem pressa, amor de verdade não escraviza nem exige, apenas se importa em doar. Um feliz Dia dos Namorados ao lado de quem você amar".

O senhor viu que o cartão não havia sido assinado e disse isso ao rapaz. "Não esqueci de assinar, por enquanto só quero que ela sinta quem sou eu".

Passaram alguns meses e o primeiro rapaz retornou à floricultura. "Lembra-se de mim, senhor?" "Certamente. Como vai o namoro?" "Nem imagina! Depois daquele Dia dos Namorados ela terminou comigo e nunca entendi a razão. Agora já parti para outra". "Ela não deu nenhuma explicação?" "Deu uma sim. Ela disse que eu a estava perdendo por causa de um botão de rosa. Bobagens. Vai entender!"

Não adianta um casal apenas sorrir junto, é preciso os dois sorrirem das mesmas coisas. Não adianta apenas caminharem juntos, tem que ser na mesma direção. Não adianta somente mandar flores, é crucial que elas venham com o perfume do amor. O amor é muito mais do que apenas seguir protocolos e regras. Vamos aprender mais sobre o amor? Vamos aprender a amar?
07/06/2019 - 08:44
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Não entendo o que se passa comigo. Já comecei, algum tempo atrás, a fazer psicoterapia e percebi que estava sendo muito bom e me fazendo bem. Mas do nada, sem razão alguma, eu parei. Não sei explicar porque tomei esta decisão, mas sei que algo me impeliu a parar. Sinto falta, pois minha vida está uma bagunça, mas sinto medo de voltar a fazer psicoterapia. Só de pensar em retornar me vem à mente tantas desculpas que já desisto. O que será que é isso?

A grande descoberta de Freud, fundador da psicanálise, foi estudar a influência do inconsciente sobre nossas vidas. Antigamente, e ainda atualmente, acreditava-se que somos seres conscientes e que nada fora desta esfera consciente interferia em nossas atitudes e decisões. Mas se olharmos de perto veremos que somos contraditórios e, muitas vezes, fazemos aquilo que não queríamos fazer em princípio. É disto que você está se dando conta em você mesma.

Você mesma (o seu inconsciente) lhe fez parar a psicoterapia que você estava gostando. Quais as razões disto? Não temos como saber a não ser que você investigue o que se passa consigo, que você dê palavras para o seu inconsciente. E isso será alcançado se voltar para sua psicoterapia. Do contrário, sempre ficará sem saber o que está te mobilizando a parar o que gosta e muitas outras coisas que, possivelmente, interferem em sua vida.

Uma ideia que tenho é que as resistências falaram mais alto e fizeram você arrumar desculpas e justificativas para deixar de continuar este trabalho. Provavelmente, se trata de resistência às mudanças. Quando nos conhecemos mais acabamos mudando muitas coisas que vivíamos e isso sempre gera certo desconforto. É como se nos tornássemos pessoas novas e desconhecidas, e isto é assustador. Então você parou o processo achando assim que poderia evitar as mudanças.

Só que as resistências não trouxeram satisfação e realização, pois você continua insatisfeita consigo e com a vida. Está numa encruzilhada: se continuar na mesma ficará insatisfeita, se ousar mudar terá que enfrentar seus medos. Só resta mesmo reunir coragem para enfrentar o medo das mudanças que poderão ocorrer caso você retorne para este trabalho de vir aprender a se conhecer.

Quem sabe se você se permitir se desapegar da pessoa que você acha que tem que ser não abre espaço para se tornar quem você pode realmente ser? Será que vale a pena tentar?
Sylvio do Amaral Schreiner
 
No blog Mundo Vivo o psicoterapeuta Sylvio do Amaral Schreiner convida o leitor a refletir sobre questões que afligem e maravilham as pessoas. Por meio de artigos pertinentes e atuais, podemos discutir sobre tudo e, com isso, enriquecer nossa sabedoria – lembrando que sabedoria e conhecimento são coisas diferentes. Conhecimento é TER, sabedoria é SER. Esperamos que este seja um espaço para a sabedoria vir a morar, se modificar e evoluir.



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