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Sylvio do Amaral Schreiner
Sylvio do Amaral Schreiner
03/06/2019 - 08:40
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A doença imaginária é extremamente nociva. Aquelas pessoas que imaginam as piores doenças para si limitam muito a própria vida e vivem sempre numa ansiedade extrema. Todos sabem disso e a hipocondria é bem estudada nas literaturas médicas e psicanalíticas há anos. Porém, o que ninguém presta muita atenção é que a saúde também pode ser imaginária e ela, também, pode ser nociva à vida.

A saúde imaginária é quando a pessoa nega seus males, sejam eles orgânicos ou psicológicos, e prefere "desconhecer" o que se passa consigo para assim não ter que se cuidar ou se responsabilizar pelas ações a tomar frente à sua condição. A ignorância é comumente mais cômoda, mas é infinitamente mais prejudicial. Lidar com a doença ou saúde imaginárias implica em se responsabilizar pela própria vida interna mental, o que sempre dá trabalho.

Ninguém nasceu sabendo cuidar de si, porém é algo que se aprende se for aberta esta possibilidade. Ficar apenas na imaginação é uma maneira de evitar as aprendizagens da vida e de permitir que a vida e os outros decidam o desenrolar dos acontecimentos. Uma pessoa constantemente levada de cá para lá, como um barquinho numa onda insana, não tem como ser feliz.

Imaginar saúde quando ela não existe impede de lidar com as realidades, muitas vezes duras, e de aprender sobre a condição humana, que sempre requer cuidado e atenção. Quem imagina saúde assim se engana e se sente onipotente. Inúmeras pessoas através de suas defesas onipotentes negam os cuidados necessários que precisariam buscar para dar uma qualidade e dignidade melhor à vida.

Quantas pessoas não negam a vacina ou tratamentos essenciais porque "acreditam" que têm tudo sob controle? Quantos se esquivam de procurar psicoterapia porque têm como certo que o que vivem não é nada demais e que é só questão de tempo para passar ou que não precisam se conscientizar do que fazem consigo mesmos? O resultado é sempre cair do pedestal e pagar um preço mais amargo.
31/05/2019 - 09:20
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Tenho dois irmãos mais velhos que são cheios de força. Eles não têm medo de nada. Sempre foram aqueles caras que metiam medo nos outros, sempre contaram vantagem. Eu, por outro lado, sempre fui nerd, cheio de medo e sofri muito bullying. Tenho hoje 19 anos e estou na faculdade, mas morro de medo de parecer ridículo aos olhos dos outros. Queria ser como meus irmãos, que nada temem e que, ao contrário, botam medo nos outros. Me sinto muito covarde, até mesmo meus irmãos acham que sou covarde. Com certeza eles serão algo na vida enquanto eu não serei ninguém.

O seu e-mail mostra o quão pouco você se considera, o quão rígido e cruel é consigo mesmo. Não sei quais foram os ataques que você já recebeu dos outros, mas agora o bullying está vindo de você mesmo. Em outras palavras, você mesmo está se atacando, se acuando e se deixando com muito medo.

Ao mesmo tempo que você se desvaloriza e se despreza você valoriza e preza a maneira como seus irmãos vivem. Parece-me que há uma idealização da sua parte quando fala e pensa sobre seus irmãos. Você os considera muito corajosos e fortes, porém, ao que tudo indica, nunca se permitiu ver com mais propriedade a forma como seus irmãos agem. Quem precisa botar medo nos outros é porque vive com medo.

Quanto mais alguém grita e se faz de valente é para ocultar um medo interno muito intenso que sente não dar conta. É assim que nascem os valentões: são gente muito medrosa, mas aprenderam a ocultar o que sentem botando terror nos outros como se assim atacassem logo de cara para não serem atacados. Se seus irmãos forem mesmo valentões eles são muito medrosos, contudo, desenvolveram um jeito de ser que camufla o que realmente sentem.

Você reconhece seu medo e não há problema nenhum nisso. Todos nós temos medo, isto faz parte da nossa natureza. No entanto, você reconhece e se agarra apenas ao medo que sente e não se disponibiliza a ver o que há mais em você. Porque, com certeza, não há só medo em você. E mais, você acredita que se não tiver medo vai ter coragem, mas a coragem não é resultado da falta de medo, ela é muito mais ampla.

Hoje você necessita fortalecer a maneira como você se vê e parar de idealizar os outros lá fora. Para isso precisa desenvolver uma boa autoestima. Aprender a gostar de si, a usar aquilo que você tem e desenvolver seu potencial. Que tal procurar ajuda para isso?

Numa análise você poderá de fato aprender a se conhecer e desenvolver o que te falta. Assim não precisará mais se comparar com quem quer que seja e poderá vir a ser quem realmente é. Você não precisa ser como seus irmãos e nem viver como agora, mas pode ser você mesmo.
28/05/2019 - 08:23
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Na próxima terça-feira (04) estarei realizando a palestra "Uma visão psicanalítica dos 7 pecados capitais e como eles nos afetam", no Juntus Coworking da Faria Lima, em Londrina. As inscrições são gratuitas e devem ser feitas pelo link abaixo. Para a entrada, pedimos 1kg de alimento não perecível que será revertido para entidade filantrópica da cidade.

Você conhece os sete pecados capitais, apontados como os mais graves nas Sagradas Escrituras? E que peso eles trazem para a nossa vida? Discutir isto é o objetivo da palestra. Sua participação e dúvidas são igualmente bem-vindas.

Até lá!

Serviço

Palestra: "Uma visão psicanalítica dos 7 pecados capitais e como eles nos afetam"
Data: 04/06/19
Hora: 19h
Local: Juntus Coworking Faria Lima (Rua Prefeito Faria Lima, 755)

Inscrições: https://www.sympla.com.br/palestra-uma-visao-psicanalitica-dos-7-pecados-capitais-e-como-eles-nos-afetam-em-londrina__529930
27/05/2019 - 10:23
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Há uma anedota que conta que um mendigo que vivia de pedir esmolas num pequeno vilarejo era motivo de chacota da população. Tudo porque quando alguém mostrava duas moedas de diferente valor o mendigo sempre escolhia a de menor valor. O povo achava tudo muito engraçado e vivia fazendo troça dele, mostrando o quanto o mendigo era tonto por escolher mal. Um forasteiro, vendo a cena, foi um dia conversar com o mendigo e o questionou se ele tinha consciência dos sarros de que era vítima e porque nunca escolhia a moeda de maior valor. O mendigo lhe sorriu e disse que no momento que escolhesse a mais valiosa a brincadeira deixaria de ter graça e ele perderia sua fonte de renda.

Com esta parábola podemos aprender várias coisas. Uma delas é que as aparências nem sempre são verdadeiras. O mendigo parecia idiota, tonto, mas na verdade ele estava sendo mais esperto que a população que o considerava como tal. Isso mostra o quanto olhar apenas as aparências pode ser extremamente enganoso.

Uma segunda coisa que podemos aprender com esta história é que se a ambição for demasiada pode por tudo a perder. Caso o pedinte começasse a cobiçar mais e mais, uma hora isto seria percebido e seus planos iriam por água abaixo. Já a terceira lição que penso que pode ser depreendida daqui é que mais importante do que o que os outros pensam de nós é o que nós pensamos de nós mesmos.

Podemos ficar bem mesmo quando a opinião das pessoas de fora não está a nosso favor. Em outras palavras, a opinião alheia conta muito pouco quando estamos certos daquilo que nos faz bem e é nosso caminho. Infelizmente muita gente esquece disso e ficam à mercê do que os outros dizem que é correto. Acontece que nossa realidade, aquilo que sabemos de nós mesmos, não tem como ser apreendido pelo outro, que vai fazer apenas julgamentos de valores que nada têm a ver com nossa realidade interna.

Saber viver e ter esses jogos de cintura fazem com que a vida se torne possível.
24/05/2019 - 09:05
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Sou uma pessoa muito insegura com meu relacionamento. Fantasio coisas olhando fotos e mídias da ex do meu namorado. Desta maneira, sempre acho que ele a amou mais ou fez mais por ela do que por mim. Sempre na minha cabeça fico comparando as coisas entre nós duas e isso me angustia muito. Por favor me ajude, estou desesperada.

"Sempre na minha cabeça..." estas são as suas palavras. Você fala de algo que se passa na sua cabeça, ou seja, no seu mundo interno. Claro que pode ser que seu namorado tenha gostado mais da ex ou tenha feito mais coisas por ela, mas o que fica nítido é que você não acredita nisso, que você não se baseia em nenhum elemento real por parte do seu namorado que te leve à conclusão de que seu namorado não goste de você ou que goste menos. Você mesma tem uma intuição de que são coisas da sua cabeça.

É você que procura a outra, e não ele. Até onde você sabe, pelo que escreveu aqui, não é ele que está fazendo esse movimento de procurar a ex e de compará-la a você. Esse movimento é seu, você apenas projeta nele algo da sua responsabilidade. Agora, o que se faz necessário é entender porque será que você gasta energia para fazer isso ao invés de viver o seu relacionamento de maneira mais satisfatória.

A sua insegurança, ouso dizer, não é com o relacionamento em si, mas é com você mesma. O que parece ocorrer, contudo, é que a insegurança toma forma no seu relacionamento, e isto é prejudicial porque acaba trazendo um peso que não precisaria para o que vocês dois vivem. Você se compara aos outros e se diminui. Em outras palavras, não se dá valor. Valoriza mais o que não tem e é do outro do que em ser você mesma. Parece que você não gosta de si própria e por isso mesmo duvida que alguém, no caso seu namorado, possa gostar de você. O perigo que você corre não vem da outra ou de fora, mas de você mesma.

Enquanto não aprender a gostar mais de si sempre correrá esse risco de crer que o amor que recebe de fora não é real. Duvidará de coisas boas e ficará sempre paranoica. Autoestima é vital para vivermos bem a vida e principalmente para viver os relacionamentos amorosos com qualidade. Em vez de procurar em outros está na hora de procurar em si mesma as coisas boas e desenvolve-las. O perigo vem de dentro e não de fora e é fundamental você compreender isso.
Sylvio do Amaral Schreiner
 
No blog Mundo Vivo o psicoterapeuta Sylvio do Amaral Schreiner convida o leitor a refletir sobre questões que afligem e maravilham as pessoas. Por meio de artigos pertinentes e atuais, podemos discutir sobre tudo e, com isso, enriquecer nossa sabedoria – lembrando que sabedoria e conhecimento são coisas diferentes. Conhecimento é TER, sabedoria é SER. Esperamos que este seja um espaço para a sabedoria vir a morar, se modificar e evoluir.



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