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Isabel Furini
Isabel Furini
20/06/2020 - 11:08
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Um ponto de encontro que explora os limites do corpo e repertórios imagéticos de uma precisão concisa

Por Mariana Silveira

A mais nova obra de Jean Narciso Bispo Moura, Dentro de nadir habita o zênite, incorpora uma poesia de atritos entre o orgânico fluir da vida e as revelações dos sentimentos de desolamento através de uma lente contemporânea.
Trata-se de um conjunto de poemas para se ler paulatinamente. Se Nietzsche escreveu seus aforismas explorando o máximo deste gênero constituído de breves máximas filosóficas, Jean eterniza suas imagens explorando a forma oética em toda sua amplitude, deixando uma sensação de que Dioniso se rendeu à precisão poética apolínea.

Pensando em suas obras anteriores como "Retratos Imateriais” e "Psicologia do Efêmero”, o poeta continua a perseguir as manifestações do corpo em toda a poesia das cenas da vida cotidiana, tendo esta um toque surreal. Tal poetização do mundo-corpo revela um flerte sutil com a poesia do baixo corporal, revelando um sobrevoo entre o popular e o hermético, criando assim uma dança de imagens inspiradoras. Ao longo da leitura, as tensões entre a força interior e o mundo exterior ganham tons variados de uma melancolia insistente. Poemas como "elefante”, "rumor”, "touro mental” e "renitente” mostram parte desta esfera soturna e perfeita para a poesia potente de Jean.

O poeta também cria uma religiosidade peculiar, orações para os deuses que gostam de poesia, de modo a estabelecer uma conexão direta com o celestial que age através da sua observação de mundo. Em "páginas fumadas”, notamos uma certa inquietação com o ato de rezar, em que se observa uma retidão em relação ao autor e pastor português João Ferreira de Almeida. Já em "fervorosa oração”, sentimos um eu-poético que anuncia a sua revolta, revelando também um desejo de iluminação aos poetas que ainda não descobriram a sua força. A influência do mundo digital não escapa da agudeza de Jean. Podemos ver em "ser periclitante” e "aglomeração”, as mazelas causadas pelas mídias, smartphones e redes sociais, que na visão do poeta causam um amortizar da poesia em todo esplendor de suas imagens e, consequentemente, da vitalidade humana.

Se pudermos sintetizar o esplendor desta obra, o título nos ajuda neste aspecto. Sendo nadir a linha imaginária inferior em relação ao observador na superfície da Terra, tendo como parâmetro a esfera celeste, e também uma palavra de origem árabe que significa "oposto a”, tem como seu complemento essencial o zênite, que é a linha que se constrói na esfera superior, estando diametralmente oposta ao nadir. Zênite também tem origem árabe e significa "estrada, caminho”. Logo, o jogo de olhares que se estabelece ao longo dos vários poemas do livro demonstra a inexorabilidade de uma existência pautada pela simetria dos opostos.

A dimensão dos olhos e olhares oriundos de um poeta observador que se encontra nesta plena consciência de nadir e zênite é a mesma que produz uma poesia em que as imagens desfilam organicamente diante dos olhos, ao mesmo tempo em há um reconhecimento de pertencimento do eu-poético a cada singularidade metafórica engatada no tempo lírico.

Dentro de nadir habita o zênite é poesia reluzente em meio ao caos; um ponto de encontro que explora os limites do corpo e repertórios magéticos de uma precisão concisa.

Esta leitura nos permite surpreender com as possibilidades das imagens e da riqueza que envolve o trabalho do poeta.



MARIANA SILVEIRA é mestra em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP. Possui graduação em Letras pela Universidade de São Paulo. Concluiu o curso de pós- graduação Lato Sensu em Linguagens da Arte, no Centro Universitário Mariantonia da USP. Tem experiência na área de Semiótica, Literatura e Estudos Visuais, principalmente no que concerne análise das mídias. Participante do grupo de pesquisa "Palavra e Imagem em Pensamento”, também vinculado à PUC. Seu interesse acadêmico envolve fotografia, cinema, literatura e poéticas artísticas.
17/06/2020 - 12:25
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Parei um tempo para olhar a chuva escorrendo pelo vidro da sala. Através dele, percebi um casal sob o guarda-chuva, que esperava para atravessar a rua. Ele, com o braço em torno da cintura dela, tentando protegê-la dos pingos incessantes. Peguei minha caneca com café, o dia estava frio, segurei com as duas mãos para esquentá-las um pouco. Comecei a divagar...
Será que o amor está fadado ao final, ao fracasso ? Quantos casais vivem juntos por 50 anos ou mais ? Quantos enfrentam a vida a dois, juntos ? Quantos tentam consertar ao invés de jogar fora ?

Os relacionamentos hoje me parecem tão superficiais. Talvez pela correria, ou pela frieza que as feridas da vida deixam em nossa alma, ou pelos tombos que levamos e deixamos, com isso, a desconfiança tomar nosso coração e pensamento. A superficialidade de uma transa e depois o adeus, apenas para contar pontos com os amigos. Não há mais o namoro, o conhecer, o mistério de descobrir, aos poucos, o sabor do beijo, se o abraço será capaz de aconchegar o outro corpo e protegê-lo. Hoje, a velocidade chegou nos relacionamentos também.Quando o ter, é mais importante que o descobrir. Talvez por isso, não dure... Primeiro a cama, depois a gente vê como fica. Mas aí, você começa a descobrir que ele ou ela não gosta de Neruda, tem pavor de andar de mãos dadas e adora filmes de terror. Tudo o que você não quer para a sua vida, ao seu lado, está ali, bem à sua frente, e você já não acha mais graça nas piadas sobre banalidades, e você não sente mais falta quando ele ou ela não manda mais mensagem, e você começa achar aquele perfume doce demais.



Então o encanto começa a desaparecer, e os detalhes começam a incomodar, e você já não deixa pra lá como antes ou, simplesmente, não liga se ele ou ela não aparecer no final de semana, com mais um filme da série Jogos Mortais. Pelo contrário, você respira com alívio. Já não se enfeita como antes, e coloca qualquer coisa só porque não pode andar sem roupa.

E o tempo passa... e o distanciamento é tão inevitável que, quando se dá conta, não há mais ninguém em sua vida. E você não sabe onde errou, onde começou a dar errado. E hoje, sob a chuva, segura o guarda-chuva, e está só. Sem um braço em torno do seu corpo, sem um sorriso quando seus olhares se cruzam e, estranhamente, você se sente bem, e está feliz. E tudo vai tomando novas cores, novos aromas. Retoma os contatos antes deixados de lado, os sonhos esquecidos.

Penso que não é o amor que está fadado ao fracasso mas, sim, aquele sentimento que não agrega valor ao seu, tomo um gole de café, sorrio sozinha. Abro meu Neruda: " Um homem só encontra a mulher ideal quando olhar no seu rosto e ver um anjo e, tendo-a nos braços, ter as tentações que só os demônios provocam..."


Marli Terezinha Andrucho Boldori, nasceu em União da Vitória PR.
Graduada em Letras / Inglês, Pós-graduada em Produção de Textos.
Acadêmica da ALVI (Academia de Letras do Vale do Iguaçu) e da AVIPAF(Academia Virtual Internacional de Poesia, Arte e Filosofia).
Lançou os Livros : Pensando a Vida e a Magia do Amor.
16/06/2020 - 06:07
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Nossa entrevistada é Maria da Glória Colucci. Maria da Glória é brasileira, viúva, nascida no Rio de Janeiro em 1945, vivendo em Curitiba desde 1977. Possui uma filha, Ana Priscila Toledo de Castro e um neto, Felipe Cezar Rasmussen de Castro. Advogada. Especialista em Filosofia do Direito (PUC-Pr). Mestre em Direito Público (UFPR). Professora aposentada da UFPr. Professora titular de Teoria do Direito (UNICURITIBA). Membro do Instituto dos Advogados do Paraná (IAP). Membro da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). Membro da Comissão do Pacto Global (OAB-Pr). Membro da Associação Brasileira de Mulheres de Carreira Jurídica (ABMCJ-Pr). Membro do Movimento Nacional ODS (ONU, Pr). Membro da Academia Virtual Internacional de Poesia, Arte e Filosofia- AVIPAF. Membro do Comitê de Ética em Pesquisa em Seres Humanos do UNICURITIBA. Escritora e poetisa, com vários prêmios em textos jurídicos e poéticos.

Quando começou a escrever?
R: O meu primeiro encontro com a poesia foi pela declamação, quando tinha em torno de 8 (oito) anos, na Igreja. Ao completar 17 (dezessete) anos, participei de um concurso de poesias no curso clássico (hoje, 2º grau) e obtive o primeiro lugar, com o poema "Sinos”.

Quais autores influenciaram seu estilo literário?
R: Primeiramente, Casimiro de Abreu, Castro Alves e Machado de Assis. Depois Cecíia Meireles, Chico Buarque de Holanda, Nélida Piñon, dentre outros.

Depois de escrever um texto, você o publica ou o reescreve várias vezes?
R: Como escrevo há algum tempo, costumo fazer no máximo, correções pontuais de repetição de palavras, inconsistências gramaticais em concordância verbal ou tratamento pessoal.

Qual é o seu livro de cabeceira?
R: Meu livro de cabeceira é a Bíblia, nela se encontram todos os estilos literários possíveis. Devido à pureza do texto, a inspiração vem das palavras e dos provérbios nela presentes.
Tem alguma técnica para construir os poemas, contos, crônicas, romances ou ensaios? Inicia com uma ideia, com uma palavra, com uma imagem, etc?
R: Escrevo em torno de sentimentos e palavras, evocados dos fatos cotidianos.

Na sua avaliação, quais são os pontos fortes de seus textos?
R: Meus poemas têm, quase sempre, uma mensagem ética, ressaltando os valores morais de uma sociedade cristã, com predomínio do incentivo à prática do Bem.

Quais assuntos que gosta de poetizar?
R:Além dos valores morais, procuro poetizar os sentimentos humanos, marcados pela solidão, em uma vivência social que afasta as pessoas, isolando-as e deixando-as mais tristes e deprimidas à medida que envelhecem.

Já recebeu e-mail de seus leitores?
R: Não recebo e-mail em relação aos poemas, mas quanto aos temas jurídicos são feitos comentários sobre os assuntos que mais escrevo – o Direito e a vida humana. Apenas há pouco tempo divulgo meus poemas. Quando os meus textos jurídicos são citados em outros textos jurídicos esta é uma forma de valorização.

Fale um pouco de sua trajetória literária.
R: Publiquei meu primeiro livro em 1980 (em Direito) ao qual sucederam-se outros, sendo que em 2018 foi lançada a obra "Jesus Cristo: Verdade e Pós-Verdade”, destinado aos futuros profissionais de Direito; uma vez que o foco é a análise do Julgamento de Jesus (Ed. Juruá, Coleção Grandes Julgamentos da História). Em poesia participei de uma Antologia (2018); e, recentemente, da publicação (2019), organizada pela Profª Isabel Furini; grande incentivadora das artes e da poesia no Paraná.

Têm projetos literários para 2020?
R: Para 2020, estou elaborando "Nelson Mandela: A luta contra a ditadura da cor”, igualmente focado no Julgamento deste ilustre símbolo da luta contra o apartheid no mundo.

Fotografia do Decio Romano
Fotografia do Decio Romano - Maria da Glória Colucci
Maria da Glória Colucci
12/06/2020 - 10:01
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DE NOVELA


é um amor de novela
agitado pelo vento

sob a bruma e sob a Lua
o forte vento arremete
contra o músculo cardíaco
com imagens de deleite

pois o amor é invisível
mas fere como estilete.

Isabel Furini

05/06/2020 - 11:24
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Dico, Dina, Chico e Nena

[i]Poema dedicado aos meus avós que com suas histórias me fazem uma pessoa melhor. Natália Ventura

Do chimarrão de todos os dias
Eu bebo da tua presença
A graça do mate está na partilha
Quem segura a cuia, ouve
Quem passa, fala
De tantas histórias que já ouvi
Olho pra dentro de mim...
Não há faculdade que ensine essa terapia
Não há melhor divã que tua cadeira de balanço
Dos muitos assuntos sempre voltamos para o mesmo:
"valorizar a presença de quem a gente ama"
Antes de perder...
E eu posso te assegurar que
De todas as mimosas, existentes na face da terra,
A mais saborosa é aquela que nasce no pé do seu quintal.

Natália Ventura é compositora, cantora e poeta.
Curitiba, 5 de maio de 2020

Isabel Furini
 
Isabel Furini, escritora e educadora. Recebeu prêmios em concursos de poesia e de contos. Publicou 15 livros, entre eles: Mensagens das Flores e Ele e outros contos. Também escreve para o público infanto-juvenil. É autora da coleção "Corujinha e os Filósofos" da Editora Bolsa Nacional do Livro de Curitiba.



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